Lula vai ao 4º mandato: quem manda no Brasil até 2030
Enquanto o brasileiro médio ganha R$ 3.135 por mês, o PT oficializou neste domingo (2) a candidatura que pode manter Luiz Inácio Lula da Silva no comando do Palácio do Planalto até 2030. Seriam 16 anos no poder — quatro mandatos presidenciais controlando o maior orçamento da América Latina.
A convenção no Expo Center Norte, zona norte de São Paulo, selou a chapa Lula-Alckmin pela segunda vez consecutiva. Geraldo Alckmin, do PSB, repete como vice depois de ter sido adversário do petista por décadas. Dinheiro e poder falam mais alto que ideologia.
A máquina partidária que sustenta o poder
Lula não está sozinho nesta empreitada. O PT costurou uma aliança com sete partidos que formam a espinha dorsal do governo:
- PSB de Alckmin
- PCdoB
- Partido Verde
- PDT
- PSOL
- Rede
Cada sigla controla ministérios, emendas parlamentares e indicações para estatais que movimentam bilhões. A Petrobras sozinha tem patrimônio líquido de R$ 527 bilhões. O Banco do Brasil administra R$ 2,3 trilhões em ativos. Quem nomeia os presidentes dessas empresas? O Planalto.
O custo da reeleição para o contribuinte
A campanha de 2022 custou oficialmente R$ 214 milhões aos cofres da chapa Lula-Alckmin, segundo dados do TSE. Dinheiro público do fundo eleitoral. A de 2026 deve custar ainda mais — a inflação política é maior que a do IPCA.
Se vencer, Lula completará 81 anos ao final do quarto mandato. Será o presidente mais longevo da história republicana brasileira em exercício. FHC governou por oito anos. Lula pode chegar a 16.
A oposição fragmentada
Enquanto o PT monta sua coalizão bilionária, a oposição patina. O PRTB lançou Leonardo Avalanche — nome praticamente desconhecido do grande público. O Novo apostou em Romeu Zema, governador de Minas Gerais com baixíssimo reconhecimento nacional. O MDB, tradicional fiel da balança, decidiu ficar de fora da disputa presidencial.
Traduzindo: a direita está dividida, sem dinheiro e sem nome competitivo. A esquerda está unida, com máquina pública e fundo eleitoral gordo.
"O presidente do PT, Edin [Cardozo Jr.], abriu a convenção celebrando a unidade dos partidos de esquerda", informou a Agência Brasil.
Unidade que se traduz em cargos, orçamento e capacidade de distribuir benesses. O sistema funciona assim desde sempre: quem está no poder reparte o bolo. Quem fica de fora, chupa o dedo.
O que está em jogo de verdade
Não se trata apenas de Lula versus adversários. Trata-se de um projeto de perpetuação no poder que envolve centenas de milhares de cargos comissionados, dezenas de estatais estratégicas e trilhões em orçamento federal.
A pergunta que não quer calar: quem realmente manda no Brasil? O eleitor que vota a cada quatro anos ou a estrutura partidária que se retroalimenta com dinheiro público e nunca sai do poder?
A resposta virá nas urnas em 2026. Mas os dados já mostram para onde o vento sopra: para o mesmo lado de sempre.