Mãe indiciada por morte de bebê Helena: o que a Justiça cobra

Mãe indiciada por morte de bebê Helena: o que a Justiça cobra
Foto: Metrópoles

Uma bebê de 10 meses morta. Uma mãe indiciada. Um primo também na mira da Justiça. O Caso Helena, que chocou o Distrito Federal, ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (20/7): a Polícia Civil formalizou o indiciamento por homicídio culposo — quando não há intenção de matar, mas há negligência.

A informação foi confirmada pela advogada de defesa da mãe, que desde o início das investigações sustentava a inocência da cliente. Agora, mãe e primo responderão criminalmente pela morte da pequena Helena.

O que significa homicídio culposo

Diferente do homicídio doloso — quando há intenção —, o culposo acontece por imprudência, negligência ou imperícia. A pena é significativamente menor: de 1 a 3 anos de detenção, contra 6 a 20 anos de reclusão no doloso.

Mas para famílias que acompanham casos como este, a diferença jurídica pouco importa. Uma criança está morta. E alguém precisa responder.

Defesa insistia em inocência

Desde que o caso veio à tona, a defesa da mãe trabalhou para afastar qualquer responsabilidade criminal. A estratégia era clara: demonstrar que não houve negligência ou conduta que justificasse uma acusação.

A Polícia Civil pensou diferente. As investigações reuniram elementos suficientes para indiciar não apenas a mãe, mas também o primo da vítima.

Os detalhes do que levou ao indiciamento ainda não foram divulgados. O inquérito corre em sigilo, padrão em casos envolvendo menores e morte de crianças.

O que acontece agora

Com o indiciamento formalizado, o inquérito policial será encaminhado ao Ministério Público do Distrito Federal. Caberá aos promotores decidir se oferecem denúncia — transformando os indiciados em réus — ou se pedem novas diligências.

Se aceita a denúncia, mãe e primo serão levados a julgamento. Ali, a Justiça vai determinar se houve mesmo negligência fatal ou se há elementos para absolvição.

Enquanto isso, a família de Helena enterra não apenas uma criança, mas as respostas que talvez nunca venham de forma completa.

Casos semelhantes expõem fragilidade

O Brasil registra milhares de mortes de crianças por causas evitáveis todos os anos. Muitas dessas mortes acontecem dentro de casa, por negligência não intencional de responsáveis.

Dados do Ministério da Saúde mostram que acidentes domésticos — quedas, afogamentos, sufocamentos — matam mais crianças do que doenças infecciosas no país. A linha entre tragédia e crime é tênue, e cabe à Justiça traçá-la.

No Caso Helena, essa linha foi traçada. Agora, será testada em tribunal.

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.