Marta vs Neymar: comparação expõe abismo bilionário no futebol

Marta vs Neymar: comparação expõe abismo bilionário no futebol
Foto: Metrópoles

Enquanto Neymar acumula R$ 1 bilhão em patrimônio e contratos que fariam inveja ao ranking bilionários brasil, Marta Vieira da Silva — seis vezes melhor do mundo — nunca viu nem a sombra desses números.

A comparação viralizou esta semana nas redes sociais. Fãs defendem a convocação da camisa 10 para a Copa do Mundo Feminina de 2027. Mas o debate real está em outro campo: dinheiro.

O abismo de ouro

Neymar Jr. fatura cerca de R$ 100 milhões por ano só com a saudita Al-Hilal. Sem contar contratos publicitários que somam mais R$ 50 milhões anuais. Jatinho particular. Mansões. Coleção de carros que vale mais que o PIB de cidade pequena.

Marta? Seu salário no Orlando Pride, dos Estados Unidos, não passa de R$ 3 milhões anuais. Uma fortuna para padrões brasileiros. Migalhas comparado ao colega de seleção.

A diferença não é só de zeros na conta bancária. É estrutural.

Quem lucra com quem

O futebol masculino movimenta R$ 30 bilhões por ano só no Brasil. Direitos de transmissão, patrocínios gordos, bilheteria esgotada. Os donos de clube do ranking bilionários brasil faturam sem sair da cadeira.

No feminino, as jogadoras dividem vestiário com times de base. Viajam de ônibus enquanto os homens vão de avião. Treinam em campos sem grama. O investimento é residual.

"Marta carrega a seleção nas costas há 20 anos e nunca ganhou 5% do que Neymar ganha"

A frase correu a internet. E está matematicamente correta.

O negócio por trás da bola

Neymar tem empresário, holding familiar, marca própria. Seu pai transformou o filho em produto. Cada gol, cada lance, cada drama viram ativos financeiros negociáveis.

Marta virou símbolo. Mas símbolo não paga conta. Não atrai investidor. Não enche estádio de 60 mil lugares.

A CBF fatura R$ 800 milhões anuais com a seleção masculina. Com a feminina? Menos de R$ 50 milhões. O patrocinador não quer igualdade. Quer audiência. Quer retorno.

A conta que não fecha

Defensores da igualdade salarial no esporte ignoram um detalhe: futebol é negócio. Bilionário, aliás.

Clubes europeus valem mais que empresas na bolsa. Jogadores são ativos. Transferências movimentam cifras obscenas. O Paris Saint-Germain pagou R$ 1,1 bilhão por Neymar em 2017.

Nenhum clube ofereceria R$ 100 milhões por Marta. Não por machismo. Por matemática.

  • Audiência da final da Copa masculina: 1,5 bilhão de pessoas
  • Audiência da final da Copa feminina: 260 milhões
  • Diferença: 600% a mais no masculino

Patrocinador paga por olhos na tela. Simples assim.

O lado político da bola

A viralização da comparação não é inocente. Movimentos feministas usam Marta como bandeira. E têm razão — até certo ponto.

O talento dela é indiscutível. Mas talento não define preço de mercado. Audiência define. Receita define. E nisso, infelizmente para as jogadoras, o fosso é intransponível.

Empresários do ranking bilionários brasil investem onde há retorno. Neymar dá retorno. Marta dá prestígio. Prestígio é importante. Mas não paga dividendo.

A verdade inconveniente: enquanto torcedores não lotarem estádios para ver futebol feminino, a diferença permanece. E nenhuma lei de igualdade salarial muda isso.

Marta merece mais? Sem dúvida. Vai receber mais? Só quando der lucro.

Carolina Pereira Ferraz

Carolina Pereira Ferraz

Cronista de poder e dinheiro. Ex-Forbes Brasil, ex-Piauí. Especializada em rankings de riqueza, dinastias políticas e herdeiros do poder.