Michelle e Bia Kicis vão ao Senado: salário de R$ 44 mil
Enquanto o brasileiro médio ganha R$ 3.145 por mês, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis acabam de dar o primeiro passo rumo a uma cadeira no Senado que paga R$ 44 mil mensais. O PL oficializou neste domingo (2) as candidaturas da ex-primeira-dama e da deputada federal ao cargo mais cobiçado — e rentável — do Legislativo brasileiro.
A convenção do partido em Brasília selou o que já era segredo de Polichinela: Michelle vai disputar uma vaga pelo Distrito Federal, enquanto Bia Kicis tenta o mesmo em Goiás. Ambas surfam na onda bolsonarista que ainda movimenta milhões em doações de campanha.
O que está em jogo financeiramente
Um senador da República recebe R$ 44.008,52 de salário bruto. Mas o pacote completo é bem mais gordo:
- Verba de gabinete que pode ultrapassar R$ 100 mil mensais
- Cota para passagens aéreas ilimitadas
- Auxílio-moradia mesmo para quem já mora em Brasília
- Verbas indenizatórias que não precisam de comprovação detalhada
No total, cada senador custa aos cofres públicos cerca de R$ 400 mil por mês quando se somam salários, assessores e estrutura. Multiplicado por oito anos de mandato, estamos falando de R$ 38 milhões por cadeira.
Michelle: de primeira-dama a candidata
Michelle Bolsonaro construiu sua base política nos bastidores do Palácio da Alvorada. Evangélica devota, ela se tornou ponte entre o marido e as igrejas que representam 31% do eleitorado brasileiro. Seu patrimônio declarado em 2022 era de R$ 1,2 milhão — modesto para os padrões de Brasília, mas que pode crescer exponencialmente com um mandato no Senado.
A aposta do PL é simples: ela herda automaticamente os votos de Jair Bolsonaro, inelegível até 2030. É uma operação de continuidade familiar que lembra os Kennedy, os Bush, os Clinton. Só que versão tropical.
Bia Kicis: a linha-dura que virou estrela
Deputada federal desde 2019, Bia Kicis se notabilizou como uma das vozes mais estridentes do bolsonarismo. Advogada de formação, ela presidiu a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e nunca escondeu suas posições radicais sobre temas como aborto, drogas e segurança pública.
Seu salário atual como deputada é de R$ 41.650,92 — praticamente o mesmo que receberá no Senado. Mas a diferença está no poder: senadores têm mandatos de oito anos (contra quatro da Câmara) e votam sabatinas de ministros, embaixadores e diretores de estatais onde circulam bilhões.
A máquina por trás das candidaturas
O PL de Valdemar Costa Neto não é exatamente um partido de pobres. Nas eleições de 2022, a legenda movimentou R$ 386 milhões em recursos, tornando-se uma das máquinas mais oleadas do país. Michelle e Bia herdam essa estrutura pronta: marqueteiros, cabos eleitorais, bases de dados, redes sociais turbinadas.
Valdemar, condenado no mensalão mas de volta ao comando partidário, sabe que essas duas candidatas são investimentos de altíssimo retorno. Elas trazem holofotes, doações espontâneas e acesso direto ao eleitorado bolsonarista fiel — que compra camisetas, comparece a eventos e, principalmente, vota em bloco.
O cálculo eleitoral
Michelle disputa no DF, onde Bolsonaro teve 58% dos votos em 2022. Bia vai para Goiás, estado onde o ex-presidente obteve 68% no segundo turno. Não é coincidência. É matemática pura.
Se eleitas, elas ganham foro privilegiado, imunidade parlamentar e oito anos de salário garantido. O contribuinte paga a conta. Como sempre.