Michelle Bolsonaro e Flávio montam palanque milionário em BSB
Enquanto o brasileiro médio ganha R$ 3.135 por mês, a convenção do PL em Brasília neste fim de semana oficializou candidaturas que movimentarão dezenas de milhões em campanhas eleitorais. Michelle Bolsonaro e Bia Kicis agora disputam, oficialmente, as duas vagas do Distrito Federal ao Senado em 2026.
O evento reuniu a nata do bolsonarismo brasiliense. Flávio Bolsonaro, senador e operador político da família, comandou a festa. Michelle, ex-primeira-dama, chegou como estrela principal. Bia Kicis, deputada federal e aliada de primeira hora, completou o time.
O jogo do poder e dinheiro brasília
A matemática é simples: duas mulheres, duas vagas, um partido. Michelle traz o sobrenome mais valioso da direita brasileira. Kicis carrega a militância raiz, aquela que ocupou a Praça dos Três Poderes e nunca abandonou o barco.
O PL aposta todas as fichas no Distrito Federal. Brasília concentra funcionários públicos federais, militares aposentados e uma classe média conservadora que elegeu Bolsonaro com folga em 2018 e 2022. É terreno fértil.
Flávio Bolsonaro não apareceu por acaso. O senador pelo Rio de Janeiro comanda a articulação nacional do partido para 2026. Sua presença sinaliza: Brasília é prioridade máxima. O dinheiro seguirá essa lógica.
Quanto custa uma cadeira no Senado
Campanhas ao Senado pelo DF custam entre R$ 15 e R$ 30 milhões, segundo dados do TSE das últimas eleições. Michelle e Kicis precisarão dessa munição. E o PL tem caixa: o fundo eleitoral de 2026 será de aproximadamente R$ 5 bilhões para todos os partidos.
O PL, como segunda maior bancada da Câmara, deve abocanhar cerca de R$ 800 milhões. Parte considerável virá para o DF. Michelle, com apelo nacional, pode puxar doações privadas de todo o Brasil. Kicis conta com a rede de apoiadores digitais construída em anos de militância.
A disputa real começa agora
A convenção foi unanimidade e sorrisos. A eleição será outra história. Brasília tem apenas oito vagas na Câmara dos Deputados e três no Senado (uma renovação em 2026). É território pequeno, disputa grande.
A esquerda prepara nomes competitivos. O governador Ibaneis Rocha (MDB) pode lançar aliados. E há sempre o risco de divisão interna: dois pesos-pesados do mesmo partido disputando as mesmas vagas criam atritos naturais.
Michelle tem a vantagem do carisma evangelical e do lastro familiar. Kicis possui a combatividade das redes sociais e lealdade testada. Ambas querem os holofotes. Ambas precisarão de muito dinheiro.
O que está em jogo
Não se trata apenas de duas cadeiras no Senado. Michelle eleita transforma-se em cabo eleitoral nacional permanente para o bolsonarismo. Kicis no Senado consolida a ala mais radical do movimento no Congresso.
O PL quer mostrar força. Quer provar que 2022 não foi acidente. Quer dizer aos financiadores: somos viáveis, somos competitivos, tragam seus cheques.
Brasília, cidade que vive de poder e dinheiro, prepara-se para mais um ciclo. A convenção foi apenas o tiro de largada. Os próximos 18 meses dirão quanto vale, de fato, o sobrenome Bolsonaro em uma urna.