Mídia vale menos que bancos: crise de confiança atinge jornais

Os jornalistas de televisão perderam a guerra da credibilidade. E perderam feio.

Nos Estados Unidos, a confiança do público na mídia televisiva despencou para níveis que fariam qualquer executivo suar frio. Presidência, Suprema Corte e até os bancos — sim, aqueles mesmos bancos que quebraram a economia em 2008 — agora desfrutam do dobro de confiança que os apresentadores de telejornais.

O dado vem de pesquisa recente e representa um alarme vermelho para um setor que movimenta bilhões de dólares anualmente.

O império que racha

Estamos falando de um negócio que, historicamente, moldou eleições, derrubou presidentes e construiu fortunas colossais. Os magnatas da comunicação sempre figuraram entre os mais poderosos do planeta — no Brasil, o ranking de bilionários invariavelmente inclui donos de conglomerados de mídia.

Mas quando o produto é confiança e o estoque acabou, o que resta?

A queda não é acidental. É estrutural. Décadas de parcialidade evidente, narrativas enviesadas e a percepção crescente de que grandes veículos servem agendas políticas específicas corroeram o ativo mais precioso do jornalismo: a credibilidade.

Quem contra quem

De um lado, conglomerados bilionários tentando manter audiência e receita publicitária. Do outro, um público cada vez mais cético, armado com redes sociais e fontes alternativas de informação.

O conflito é existencial. Quando bancos — instituições historicamente impopulares — parecem mais confiáveis que jornalistas, algo profundamente errado está acontecendo.

"A confiança é o único ativo que não pode ser comprado de volta depois de perdido", resume analista de mídia ouvido pelo The Hill.

O preço da desconfiança

Nos EUA, os números são brutais. Menos de 30% do público confia em veículos tradicionais de TV. Enquanto isso, instituições como a presidência e a Suprema Corte registram índices próximos a 60%.

Para um setor que depende de atenção para vender publicidade, isso significa sangria financeira. Anunciantes migram para plataformas digitais. Audiências encolhem. Receitas derretem.

No Brasil, embora dados específicos variem, a tendência é similar. Pesquisas mostram ceticismo crescente em relação a grandes veículos, especialmente entre jovens que consomem notícias majoritariamente via redes sociais.

Bilionários nervosos

Não é coincidência que magnatas da mídia estejam diversificando. Quem construiu fortuna vendendo notícia agora investe pesado em streaming, tecnologia e entretenimento puro.

O ranking de bilionários do Brasil mostra essa movimentação: os grandes nomes da comunicação tradicional expandem tentáculos para áreas menos dependentes de confiança editorial.

Porque entretenimento você pode vender sem credibilidade. Jornalismo, não.

O desastre anunciado

A manchete do The Hill é clara: a mídia caminha para o desastre. Não por falta de talento ou recursos, mas por perda irreparável de confiança.

E confiança, diferentemente de audiência ou receita, não se recupera com campanha de marketing ou rebranding corporativo.

Enquanto isso, o público segue migrando. Para onde? Para qualquer lugar que pareça menos tendencioso — mesmo que seja igualmente problemático.

A ironia é amarga: numa era de desinformação explosiva, os guardiões tradicionais da verdade perderam autoridade para combatê-la.

O resultado? Um vácuo de poder informacional que ninguém sabe exatamente quem vai preencher.

Mas uma certeza existe: não serão os jornalistas de TV.

Carolina Pereira Ferraz

Carolina Pereira Ferraz

Cronista de poder e dinheiro. Ex-Forbes Brasil, ex-Piauí. Especializada em rankings de riqueza, dinastias políticas e herdeiros do poder.