Mocotó e Aizomê faturam milhões enquanto salário Congresso 2026 cresce
Enquanto o salário do Congresso em 2026 bateu R$ 44 mil mensais — mais que o rendimento anual de milhões de brasileiros —, dois templos gastronômicos paulistanos expandem seus impérios para a zona sul de São Paulo. Mocotó e Aizomê, que faturam juntos dezenas de milhões por ano, acabam de inaugurar novas unidades longe do circuito tradicional Pinheiros-Jardins.
O movimento revela uma aposta arriscada: levar pratos que custam R$ 150 a R$ 200 para regiões onde a renda média familiar mal chega a R$ 3 mil.
O Império do Mocotó
Rodrigo Oliveira, chef-celebridade por trás do Mocotó, comanda uma operação que saiu da humilde zona norte para virar case de negócios. A nova unidade na zona sul traz novidades no cardápio — leia-se: pratos ainda mais caros que os já salgados do cardápio original.
Fontes do mercado estimam que cada unidade do Mocotó fature entre R$ 2 milhões e R$ 4 milhões ao ano. Com três restaurantes agora, o império nordestino de Oliveira movimenta cifras que fariam inveja a muito parlamentar.
Aizomê e o Jogo dos Milhões
Do lado japonês, o Aizomê segue estratégia similar. Conhecido por cobrar R$ 180 num simples combinado, o restaurante aposta que a zona sul tem público disposto a pagar preço de Jardins por comida oriental.
A expansão não é caridade. É cálculo frio.
Telma Shiraishi, chef do Aizomê, sabe que São Paulo tem 12 milhões de habitantes. Mesmo que apenas 2% tenham renda compatível com seus preços, são 240 mil clientes em potencial. Muito mais que as 80 mil famílias dos Jardins.
O Contraste que Ninguém Quer Ver
Aqui mora o veneno desta história: enquanto deputados e senadores aprovaram aumento próprio para R$ 44.008,52 em 2026 — salário Congresso que representa 35 vezes o mínimo nacional —, restaurantes de elite descobrem que há dinheiro suficiente na "periferia" para sustentar cardápios de R$ 200 por pessoa.
Traduzindo: a desigualdade brasileira atingiu patamar tão obsceno que até as bordas da cidade agora têm bolsões de riqueza capazes de bancar gastronomia de luxo.
Quem Ganha com Isso?
- Chefs-celebridade que viram empresários milionários
- Donos de imóveis comerciais na zona sul, com aluguéis em alta
- Fornecedores premium de ingredientes importados
- O Fisco, que arrecada mais com movimentação gastronômica
Quem perde? Os 50 milhões de brasileiros abaixo da linha da pobreza, que jamais verão um sushi de R$ 180 nem um mocotó de R$ 150 — enquanto pagam impostos que financiam os R$ 44 mil mensais de parlamentares.
A Conta que Não Fecha
A expansão de Mocotó e Aizomê prova uma verdade incômoda: existe dinheiro no Brasil. Muito dinheiro. Só está concentrado em pouquíssimas mãos.
Tão concentrado que comporta restaurantes de elite na zona sul. Tão concentrado que parlamentares ganham salário Congresso 2026 de R$ 44 mil sem pestanejar. Tão concentrado que o país convive, na mesma cidade, com filas para ossobuco trufado e filas para osso com tutano do açougue.
O cardápio está aberto. Mas não para todos.