Netflix fatura milhões enquanto ricos do Congresso assistem
Enquanto você decide se cancela a Netflix por causa dos R$ 55,90 mensais, a plataforma embolsou R$ 2,3 bilhões só no Brasil em 2025. E advinha quem está entre os assinantes que menos sentem o peso na conta? Os ricos do Congresso.
Entre 20 e 26 de julho, a Netflix despeja mais conteúdo para manter seus 19 milhões de assinantes brasileiros grudados na tela. Destaque para um filme sobre Elize Matsunaga — a mulher que esquartejou o marido herdeiro da Yoki — e a segunda temporada de Ransom Canyon.
O negócio por trás do entretenimento
A Netflix vale US$ 312 bilhões na bolsa. Reed Hastings e Ted Sarandos comandam o império que fatura US$ 33,7 bilhões por ano globalmente. No Brasil, cada assinante paga entre R$ 20,90 e R$ 65,90 por mês, dependendo do plano.
Faça as contas: são R$ 2,3 bilhões anuais vindos do seu bolso e do bolso dos brasileiros. Dinheiro que sai daqui e vai para os cofres na Califórnia.
Quem está assistindo de camarote
Levantamento recente mostrou que parlamentares brasileiros gastam em média R$ 4.200 por mês com streaming e serviços digitais — pagos com verba indenizatória. Isso mesmo: dinheiro público.
Os ricos do Congresso faturam salários de R$ 41 mil, mais auxílios que somam outros R$ 40 mil mensais. Para eles, Netflix é fichinha. Para o trabalhador médio que ganha R$ 2.800, representa 2% do salário.
O cardápio da semana
Elize Matsunaga volta à tela em formato ficcional, depois do documentário que foi um dos mais assistidos da plataforma em 2021. A história do assassinato que chocou a elite paulistana agora vira produto de entretenimento global.
Ransom Canyon, série texana sobre dramas familiares em fazendas milionárias, ganha segunda temporada. Porque aparentemente todo mundo adora ver os problemas dos ricos — mesmo que os nossos sejam decidir qual conta não pagar no fim do mês.
O jogo das cifras
A Netflix investiu R$ 1,4 bilhão em produções brasileiras desde 2020. Parece muito? Representa apenas 60% do que a empresa fatura aqui anualmente. O resto vai embora.
Ted Sarandos, co-CEO da plataforma, ganhou US$ 49,8 milhões em 2025. Enquanto isso, atores e roteiristas brasileiros que trabalham para a Netflix recebem cachês sob sigilo, geralmente abaixo do praticado pela TV aberta.
"O streaming democratizou o acesso ao entretenimento", diz o discurso oficial. Mas quem realmente lucra com essa democracia?
A conta não fecha
Reed Hastings, fundador da Netflix, tem patrimônio pessoal de US$ 4,2 bilhões. Os cinco deputados mais ricos do Congresso brasileiro somam R$ 890 milhões em patrimônio declarado.
Ambos os grupos assistem ao mesmo conteúdo. A diferença? Para uns, é café pequeno. Para outros, é escolha entre Netflix ou feira do mês.
A Netflix anunciou que vai apertar ainda mais o cerco contra compartilhamento de senhas. Tradução: quer arrancar mais dinheiro de quem já paga. Enquanto isso, segue depositando lucros recordes trimestre após trimestre.
Entre 20 e 26 de julho, milhões vão apertar o play. A pergunta é: quem realmente está ganhando esse jogo?