Neymar treina, mas fica fora: vale mais a marca que o jogo?
Enquanto o torcedor comum pega ônibus lotado para ver o Santos jogar, Neymar fica em casa. O craque marcou um golaço no treino desta segunda-feira (20), mas não embarcou para a partida contra a Universidad Central da Venezuela. A conta não fecha para quem torce — mas faz todo sentido para quem fatura.
O retorno do camisa 10 ao Peixe foi anunciado como redenção. Seis meses de contrato, salário estimado em R$ 1,5 milhão mensais, patrocínios que ultrapassam R$ 100 milhões anuais. O problema? Neymar joga quando quer, treina quando pode, viaja se der.
O golaço que ninguém viu valer pontos
No CT Rei Pelé, câmeras registraram o lance: bola no ângulo, técnica impecável, comemoração discreta. Nas redes sociais, o vídeo viralizou em minutos. Milhões de visualizações. Engajamento recorde. Mas enquanto os likes subiam, o Santos embarcava sem seu maior ativo — desculpa, seu maior jogador.
A diretoria alvinegra justifica: "gestão de carga", "preparação física", "processo gradual". Tradução: Neymar vale mais inteiro para o marketing do que machucado em campo. E não é mentira. Cada post dele gera mais receita que bilheteria de três jogos fora de casa.
Quem paga a conta dessa estratégia?
A torcida. Sempre ela. Famílias que economizam meses para comprar camisa oficial, que lotam arquibancada mesmo com time irregular, que defendem ídolo nas redes mesmo quando ele não corresponde em campo.
Enquanto isso, Neymar negocia com marcas, renova contratos publicitários, alimenta a máquina de conteúdo. Seu império não depende de gols — depende de holofotes. O Santos virou palco, não projeto.
"Ele está seguindo protocolo médico rigoroso", afirmou o departamento de comunicação do clube, em nota que não convence nem quem escreveu.
O negócio por trás da bola
Números não mentem. A volta de Neymar multiplicou por cinco o valor das ações do Santos nos primeiros dias. Patrocinadores que fugiam voltaram correndo. Transmissões de TV dobraram audiência. Mas vitórias? Essas continuam escassas.
O modelo é claro: transformar futebol em entretenimento, atleta em influencer, torcedor em consumidor. Funciona para os cofres. Massacra a alma do esporte.
Enquanto Neymar marca golaços em treinos fechados, o Santos busca resultados em campo aberto. A pergunta que fica: quando esses dois caminhos vão finalmente se encontrar? Ou nunca foi essa a intenção?
No final, quem lucra não é quem torce. É quem negocia.