Novo premiê britânico promete revolução econômica radical

Novo premiê britânico promete revolução econômica radical
Foto: Metrópoles

Enquanto o Congresso brasileiro debate reajustes salariais para 2026, do outro lado do Atlântico um novo líder promete virar a mesa do capitalismo britânico. Andy Burnham, recém-empossado primeiro-ministro do Reino Unido, jurou realizar "as maiores transformações econômicas em 40 anos".

O número é calculado. Quarenta anos atrás, Margaret Thatcher redesenhava a economia britânica com privatizações brutais e cortes no Estado. Agora, Burnham quer fazer o caminho inverso.

O Homem que Vai Mexer no Dinheiro

Líder do Partido Trabalhista, Burnham não é novato. Ex-prefeito da Grande Manchester, ele construiu reputação administrando uma região com PIB maior que Portugal. Agora comanda a sexta economia do mundo.

As primeiras medidas já foram anunciadas. E são pesadas.

Burnham prometeu reformular completamente o modelo econômico herdado dos conservadores. O alvo: desigualdade crescente, serviços públicos deteriorados e regiões inteiras abandonadas pela globalização.

Quanto Custa Mudar um País

O Reino Unido tem uma economia de US$ 3,1 trilhões. Qualquer mudança estrutural movimenta bilhões. Investidores já especulam sobre os setores afetados.

Energia, transporte e saúde devem ser prioridades. O NHS, sistema público de saúde britânico, sangra há anos com filas intermináveis e falta de profissionais. Consertar isso exige montanhas de libras.

Burnham também prometeu atacar a concentração de riqueza em Londres. Manchester, Birmingham e outras cidades industriais querem sua fatia do bolo.

Quem Ganha, Quem Perde

Trabalhistas contra conservadores. É a velha batalha britânica.

Os conservadores deixaram o poder após anos de crises: Brexit mal resolvido, inflação galopante, greves paralisando o país. Burnham herdou um Reino Unido cansado e dividido.

A City de Londres, coração financeiro global, observa com nervosismo. Qualquer regulação mais dura afeta trilhões em ativos. Bancos, fundos de investimento e gestoras têm muito a perder — ou ganhar, dependendo de como o jogo for jogado.

O Modelo Burnham

Detalhes ainda são escassos. Mas o discurso de posse deu pistas claras.

Primeiro: investimento público massivo em infraestrutura. Estradas, ferrovias, energia limpa. A aposta é que dinheiro público estimule crescimento privado.

Segundo: redistribuição regional. Londres concentra poder e dinheiro há séculos. Burnham quer descentralizar.

Terceiro: reformar relações trabalhistas. Mais poder aos sindicatos, salários mínimos mais altos, direitos ampliados.

É Margaret Thatcher de cabeça para baixo.

O Risco Bilionário

Mudanças radicais assustam mercados. A libra esterlina já oscilou nas primeiras horas após o discurso de Burnham.

Investidores querem previsibilidade. Revoluções econômicas, mesmo bem-intencionadas, criam volatilidade. E volatilidade custa caro.

Burnham terá que equilibrar promessas populares com realismo fiscal. O Reino Unido carrega dívida pública gigantesca. Gastar mais exige ou arrecadar mais, ou cortar em outro lugar.

A conta sempre fecha. A questão é quem paga.

Olhos no Relógio

Burnham tem cinco anos de mandato pela frente. Quarenta anos de mudanças não acontecem da noite pro dia.

Mas o relógio político corre rápido. Eleições de meio de mandato cobram resultados. Promessas grandes geram expectativas maiores ainda.

O novo premiê britânico apostou alto. Agora precisa entregar. Bilhões de libras e milhões de eleitores estão assistindo.

Fernando Andrade Villela

Fernando Andrade Villela

Investigador financeiro. Cobre offshores, patrimônio declarado vs. real, e o cruzamento entre política e mercado.