ONG de produtora embolsou R$ 114 mi da Prefeitura de SP

ONG de produtora embolsou R$ 114 mi da Prefeitura de SP
Foto: Metrópoles

Enquanto paulistanos enfrentam filas intermináveis na saúde pública, uma ONG presidida pela produtora de Dark Horse embolsou R$ 114 milhões dos cofres da Prefeitura de São Paulo. O dinheiro saiu. Parte voltou — mas apenas R$ 2 milhões.

A informação consta em ofício obtido pelo Metrópoles e revela mais um capítulo da relação promíscua entre poder público e organizações do terceiro setor na capital paulista.

Quem é quem nesta história

A entidade em questão é presidida por uma produtora que ganhou holofotes com o sucesso da série Dark Horse. Mas longe das câmeras, a executiva comandava uma operação milionária financiada pelo contribuinte.

A ONG prestava serviços à administração municipal. Quais serviços? Quanto custavam? Por que R$ 114 milhões?

Essas perguntas ainda ecoam sem respostas claras.

O dinheiro que voltou (um pouco)

Segundo o documento oficial, a organização teve que devolver cerca de R$ 2 milhões. Uma devolução que representa menos de 2% do total recebido.

O motivo da devolução não foi detalhado no ofício. Irregularidades? Superfaturamento? Serviços não prestados?

A Prefeitura não esclareceu.

O padrão se repete

Não é a primeira vez que ONGs ligadas a figuras conhecidas aparecem em contratos polpudos com o poder público. O Brasil dos políticos mais ricos convive harmoniosamente com o Brasil das organizações sem fins lucrativos que lucram muito bem, obrigado.

O modelo é simples:

  • Governo repassa verbas milionárias
  • Fiscalização é fraca ou inexistente
  • Dinheiro público vira privado
  • Algum escândalo estoura
  • Devolve-se migalhas
  • Ninguém vai preso

Dark Horse e o lado B da fama

A série Dark Horse conquistou audiência e crítica. Mas o sucesso na telinha contrasta com a opacidade nos negócios com dinheiro público.

A produtora não se pronunciou sobre os R$ 114 milhões recebidos pela ONG que preside. Silêncio eloquente.

Quanto vale uma ONG bem conectada?

No Brasil dos contratos sem licitação e das parcerias público-privadas de fachada, uma organização com os contatos certos vale ouro. Literalmente.

R$ 114 milhões compram muita coisa. Hospitais. Escolas. Transporte público digno.

Ou uma ONG de alguém famoso.

A escolha da Prefeitura está documentada. O resultado para o paulistano, nem tanto.

"O terceiro setor virou primeiro na fila do dinheiro público. E o cidadão segue em último."

O que vem por aí

A revelação do Metrópoles abre caminho para investigações mais profundas. Ministério Público e Tribunal de Contas podem — e devem — entrar em cena.

Mas a história brasileira ensina: escândalos vêm, vão, viram manchete por uma semana e somem.

Enquanto isso, outras ONGs já estão na fila. Outros contratos já estão sendo assinados. Outros milhões já estão mudando de mãos.

É o Brasil dos políticos mais ricos alimentando o ecossistema das organizações mais conectadas. Um ciclo perfeito — para quem está dentro dele.

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.