OpenAI perde US$ 2 bi enquanto ChatGPT trava no Brasil

OpenAI perde US$ 2 bi enquanto ChatGPT trava no Brasil
Foto: tecmundo.com.br

Enquanto você luta para pagar a conta de luz, a OpenAI — avaliada em US$ 157 bilhões — assistiu seu produto estrela virar pó nesta terça-feira (21). O ChatGPT saiu do ar. Milhões de usuários no Brasil e no mundo ficaram na mão.

A queda começou na manhã desta terça. Sites especializados em monitoramento como o DownDetector registraram picos de reclamações. Em Brasília, o estrago foi sentido no bolso de empresas que dependem da ferramenta para operar.

O império que desaba em minutos

A OpenAI, comandada por Sam Altman, é a queridinha do Vale do Silício. Recebeu US$ 13 bilhões da Microsoft. Promete revolucionar tudo — do atendimento ao cliente até diagnósticos médicos.

Mas o castelo de cartas mostra rachaduras. Esta não é a primeira vez que o ChatGPT sai do ar. Em fevereiro, outra queda massiva. Em dezembro, mais uma. O padrão se repete: infraestrutura cara que não aguenta a própria ambição.

Cada minuto offline custa caro. Especialistas estimam prejuízo de US$ 2 milhões por hora de instabilidade quando se considera perda de receita e danos à reputação.

Quem paga a conta?

Não é a OpenAI. São as pequenas empresas brasileiras que apostaram na tecnologia. Startups de Brasília que migraram operações inteiras para IA. Advogados que usam o ChatGPT para revisar contratos. Agências de marketing digital que vendem serviços baseados na ferramenta.

Quando o sistema cai, eles param. Mas as contas não param de chegar.

"Pagamos US$ 20 por mês pela versão Plus. Quando cai, perdemos clientes. Simples assim"

A frase é de um empreendedor digital de Brasília que pediu anonimato. Ele não está sozinho. Milhares de brasileiros dependem da estabilidade de uma empresa americana que mal conhecem.

A disputa bilionária por trás do código

OpenAI contra Google. Microsoft contra todo mundo. A corrida da inteligência artificial vale trilhões. Literalmente.

Analistas do Goldman Sachs projetam que IA generativa pode adicionar US$ 7 trilhões à economia global até 2030. Quem dominar a tecnologia domina o futuro do trabalho, da informação, do poder.

Sam Altman quer esse trono. Sundar Pichai, do Google, também. Elon Musk entrou na briga com a xAI. A batalha é travada com servidores, chips Nvidia a US$ 40 mil cada, e promessas que nem sempre se cumprem.

Brasil fica de fora da festa

Enquanto isso, Brasília assiste de camarote. Sem regulação clara. Sem investimento em infraestrutura própria de IA. Dependentes de tecnologia gringa que cai quando bem entende.

O Congresso debate projetos de lei sobre inteligência artificial há dois anos. Nada sai do papel. Enquanto isso, empresas americanas faturam bilhões com dados de brasileiros.

A queda do ChatGPT é sintoma de problema maior: quem controla a tecnologia controla tudo. E não somos nós.

Até a publicação desta matéria, a OpenAI não se pronunciou oficialmente sobre as causas da instabilidade. O serviço foi gradualmente restabelecido ao longo da tarde.

Mas a pergunta permanece: quanto tempo até a próxima queda? E quem vai pagar por isso?

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.