Patrimônio de senadores em jogo: convenções definem 2026
Enquanto você decide entre pagar a conta de luz ou comprar comida, os partidos brasileiros começam nesta segunda-feira (20) o ritual que vai definir quem disputa as cadeiras mais rentáveis da República em 2026. As convenções partidárias — reuniões fechadas onde filiados escolhem candidatos — são o pontapé oficial para a corrida eleitoral que movimenta bilhões de reais.
O prêmio? Vagas no Senado, governos estaduais e a Presidência. O patrimônio declarado dos 81 senadores atuais ultrapassa R$ 500 milhões. Só os dez mais ricos acumulam mais de R$ 200 milhões em bens.
O clube dos escolhidos
Segundo Guilherme Barcelos, especialista em Direito Eleitoral do Barcelos Alarcon Advogados, ninguém vira candidato oficial sem passar pelas convenções. "O candidato, para que obtenha o deferimento do seu registro de candidatura, deverá, necessariamente, ter sido escolhido em convenção", explica.
Na prática: é nessas reuniões que pré-candidatos viram candidatos de verdade. É onde os partidos decidem também quem vai se aliar com quem — as famosas coligações que redistribuem tempo de TV e dinheiro do fundo eleitoral.
Quanto custa o jogo
Para 2026, estão em disputa:
- Presidência da República
- 27 governos estaduais
- 27 cadeiras no Senado (um por estado)
- 513 vagas na Câmara dos Deputados
- Assembleias Legislativas estaduais
Só o fundo eleitoral de 2022 distribuiu R$ 4,9 bilhões entre os partidos. Para 2026, a expectativa é que o valor seja ainda maior — dinheiro público bancando campanhas de gente que já tem patrimônio de milhões.
O calendário do poder
As convenções podem acontecer entre 20 de julho e 5 de agosto. Depois disso, os partidos têm até 15 de agosto para registrar os candidatos oficialmente na Justiça Eleitoral.
A partir daí, começa o circo: propaganda eleitoral na TV, debates, promessas e o desfile de candidatos fingindo ser gente como a gente.
Quem manda de verdade
As convenções são formalmente abertas a todos os filiados. Na prática, quem define os nomes são as cúpulas partidárias — presidentes nacionais, estaduais e os caciques regionais que controlam votos e recursos.
É um jogo de bastidores onde patrimônio, influência e acesso a dinheiro pesam mais que qualquer discurso democrático.
O Brasil tem 29 partidos políticos registrados. Muitos deles existem apenas para abocanhar fatias do fundo público e negociar apoios. As convenções são o momento em que essas negociações saem do papel.
Enquanto isso, o eleitor comum espera — sem saber que os candidatos que vão escolher em outubro já foram escolhidos agora, em salas fechadas, por quem realmente manda.