Enquanto o patrimônio dos senadores cresce, gamers pagam R$ 400 em fone

Enquanto o patrimônio dos senadores cresce, gamers pagam R$ 400 em fone
Foto: olhardigital.com.br

Enquanto o patrimônio dos senadores brasileiros aumenta silenciosamente — alguns declarando até R$ 30 milhões em bens —, o gamer médio precisa desembolsar entre R$ 200 e R$ 400 por um headset com tecnologia 7.1 surround. A pergunta que fica: quem realmente lucra com esse mercado bilionário de periféricos?

A Amazon promove esta semana dois modelos que prometem "áudio imersivo": o Redragon Zeus Pro H510-PRO, sem fio, e outras opções que surfam na onda do gaming — setor que movimentou US$ 184 bilhões globalmente em 2023, segundo a Newzoo.

O Mercado que Enriquece Poucos

Fabricantes chinesas como a Redragon dominam o segmento de periféricos "acessíveis" no Brasil. O Zeus Pro, vendido como premium, chega a R$ 399 em promoção. Para o trabalhador que ganha um salário mínimo de R$ 1.412, representa 28% da renda mensal.

Enquanto isso, os gigantes do varejo online — Amazon à frente — faturam comissões sobre cada venda. Jeff Bezos, fundador da Amazon, possui fortuna de US$ 203 bilhões. Mais do que o PIB de 130 países.

Tecnologia 7.1: Marketing ou Realidade?

A promessa do som surround 7.1 em headsets é questionável. Especialistas em áudio apontam que a maioria usa simulação virtual, não alto-falantes reais posicionados. É software, não hardware.

Mesmo assim, marcas vendem o sonho da "experiência imersiva" para jovens que economizam meses. O apelo emocional funciona: quem não quer ouvir os passos do inimigo no jogo antes de ser abatido?

Quem Está Por Trás das Ofertas

A Redragon, marca chinesa, explodiu no Brasil prometendo qualidade gamer a preços "populares". Popular é relativo quando seu público-alvo ganha entre 1 e 3 salários mínimos.

As "promoções" da Amazon funcionam assim: preços inflados semanas antes, descontos que parecem generosos depois. A estratégia é antiga, mas eficaz.

O Contraste Obsceno

Dados da Transparência Brasil mostram que o patrimônio médio dos senadores ultrapassa R$ 3 milhões. Alguns possuem empresas, fazendas, imóveis de luxo. Comprar 100 headsets Zeus Pro seria mero arredondamento contábil.

Para o gamer classe média, é decisão financeira séria. Parcelar em 10 vezes sem juros — outra ilusão de acessibilidade que mascara o endividamento.

Vale a Pena?

Se você tem o dinheiro sobrando, headsets wireless com qualidade razoável melhoram a experiência. Mas não se iluda: não é equipamento profissional. É produto de massa com margem de lucro gorda.

Os verdadeiros vencedores? Fabricantes chinesas, varejistas globais e intermediários. O consumidor brasileiro continua pagando caro por tecnologia que, lá fora, custa metade.

Enquanto políticos declaram patrimônios milionários e empresas faturam bilhões, o trabalhador comum celebra um desconto de 15% como conquista. Esse é o jogo. E você, provavelmente, já sabe de que lado está.

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.