Patrimônio de senadores: Flávio promete soberania em 2026

Patrimônio de senadores: Flávio promete soberania em 2026
Foto: Poder360

Enquanto o patrimônio de senadores brasileiros segue engordando nos registros do TSE, um deles resolve prometer "resgatar a soberania nacional". Flávio Bolsonaro, senador do Rio e filho do ex-presidente, virou aposta eleitoral do prefeito Ricardo Nunes para 2026.

O timing não poderia ser melhor — ou mais cínico. Com Lula bradando soberania contra as tarifas de Trump e o Banco Central defendendo o Pix de ataques fabricados, o termo virou commodity política.

O Jogo dos Bilhões

Nunes soltou o foguete na última semana: Flávio seria o nome para liderar o "resgate" do Brasil. Convenhamos, soberania virou palavra mágica. Serve pra tudo. Tarifaço americano? Soberania. Pix ameaçado por fake news? Soberania. Disputa eleitoral? Soberania.

O problema é simples: quem fala de soberania nacional costuma ter patrimônio que cruza fronteiras. Os senadores brasileiros não são exceção. Imóveis, aplicações, empresas — o portfólio cresce enquanto o discurso patriótico aquece.

"Flávio Bolsonaro é o nome natural para resgatar a soberania que Lula entregou", disparou Nunes, sem detalhar qual soberania nem pra quem foi entregue.

Quem Contra Quem

A equação é cristalina: Bolsonarismo versus Lulismo, com soberania como troféu. Ambos os lados empunham a bandeira. Lula usa contra Trump. Bolsonaro filho usará contra Lula. O eleitor fica no meio, tentando descobrir onde sua soberania se perdeu.

O patrimônio dos senadores, esse não se perde. Cresce. Flávio declarou ao TSE bens superiores a R$ 2 milhões na última eleição. Modesto para os padrões da casa. Há colegas com dezenas de milhões em declarações oficiais — o que dirá nos extratos reais.

O Slogan Que Vale Ouro

Soberania nacional virou o "paz e amor" da política brasileira. Todo mundo usa, ninguém sabe o que significa na prática. Lula emprega contra tarifas americanas que podem quebrar a indústria nacional. Flávio promete resgatar contra... bem, contra Lula.

É circular. É vazio. É perfeito.

Nunes, que governa a maior cidade do país e precisa de padrinho federal, encontrou no senador carioca o nome ideal. Bolsonaro pai está inelegível. Bolsonaro filho está disponível. E com lastro: sobrenome, base eleitoral fiel, patrimônio declarado e um discurso pronto sobre soberania.

O Preço da Bandeira

Quanto custa resgatar a soberania nacional? Ninguém respondeu ainda. Mas campanhas presidenciais custam centenas de milhões. O patrimônio dos senadores ajuda a bancar parte. O resto vem de doações empresariais, fundos partidários e aquele dinheiro que ninguém sabe bem de onde vem.

Flávio terá dois anos para construir viabilidade. Nunes ofereceu o palanque paulista. O discurso está pronto: soberania, nacionalismo, Brasil acima de tudo. As mesmas palavras que Lula usa. Os mesmos chavões que elegeram Bolsonaro pai.

A diferença? O patrimônio de senadores continua crescendo. A soberania do cidadão comum continua em liquidação.

No final, soberania virou marca. E como toda marca valiosa, tem donos disputando o monopólio. Flávio quer sua fatia. Nunes oferece o mercado. O eleitor paga a conta.

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.