Patrimônio de senadores em jogo: Simões detona Cunha em MG
R$ 4,7 milhões. Esse é o patrimônio declarado de Eduardo Cunha ao TSE em 2022, quando tentou voltar do ostracismo político. Agora, o ex-deputado cassado tenta erguer candidaturas em Minas Gerais — e encontrou resistência brutal.
O governador Romeu Zema (Novo) detonou Cunha nesta quinta-feira com frase cirúrgica: "cadáver político tentando ressuscitar em Minas".
O ataque não é gratuito. Cunha, condenado na Lava Jato e preso por 2 anos, articula nos bastidores para emplacar aliados no estado. Zema enxerga ameaça ao próprio projeto de poder.
O que está em jogo além de votos
Minas Gerais não é qualquer estado. É a segunda maior bancada na Câmara dos Deputados — 53 cadeiras. No Senado, três vagas que movimentam patrimônios milionários e influência nacional.
O senador Cleitinho (Republicanos-MG) declarou R$ 8,9 milhões em bens. Carlos Viana (Podemos-MG), R$ 2,1 milhões. Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Senado, declarou R$ 1,8 milhão.
Esses números oficiais raramente contam a história completa. Patrimônio de senadores costuma crescer exponencialmente durante mandatos — consultoria para empresas, palestras pagas, participações societárias indiretas.
Polarização que atrasa — ou que convém atrasar
Zema reclamou que a "polarização nacional" atrasou negociações para composições eleitorais em Minas. Traduzindo: Bolsonaro versus Lula travou acordos locais.
Mas há outra leitura. Enquanto partidos brigam por ideologia, negociam cargos e recursos nos bastidores. A demora pode ser estratégica — quanto mais tempo, mais concessões arrancadas.
"Lideranças nacionais não entendem Minas. Querem exportar conflitos que não são nossos"
A frase de Zema soa bonita. Esconde que ele mesmo é criatura da polarização — elegeu-se em 2018 surfando na onda anti-PT.
Cunha, o zumbi bilionário
Eduardo Cunha não é cadáver comum. É cadáver com conexões, dinheiro escondido e banco de favores acumulado em décadas.
Condenado a 15 anos de prisão, saiu em 2019 após delação premiada. Desde então, tenta reconstruir pontes. Seu alvo: estados onde máquinas políticas antigas ainda funcionam.
Minas Gerais é terreno fértil. Política mineira sempre foi transacional — menos ideologia, mais pragmatismo. Cunha fala essa língua fluentemente.
O problema para Zema é simples: Cunha pode oferecer o que governadores tecnocratas não conseguem. Dinheiro de campanha sem perguntas. Estrutura de cabo eleitoral testada. Cinismo suficiente para acordos impossíveis.
Quanto vale um senador?
Campanhas para o Senado custam entre R$ 15 milhões e R$ 50 milhões em estados grandes. Minas está no topo dessa escala.
Retorno do investimento? Um senador influente movimenta bilhões em emendas, nomeações, contratos públicos. O patrimônio oficial é vitrine — o real poder está no acesso.
Cunha sabe disso melhor que ninguém. Como presidente da Câmara, controlou R$ 3 bilhões em emendas parlamentares por ano. Não há governador que não entenda o valor dessa articulação.
Por isso Zema ataca com tanta virulência. Não é questão de moral. É disputa por controle de fluxo de recursos.
O show vai continuar
Eduardo Cunha não vai desistir. Políticos condenados raramente desistem — apenas mudam de estratégia.
Zema precisa atacá-lo publicamente para se proteger politicamente. Mas nos bastidores, o governador sabe: em Minas, cadáveres políticos têm o péssimo hábito de ressuscitar.
E quando ressuscitam, costumam voltar com fome.