PCC infiltrado: empresário da UpBus e dono de império viram alvos
Enquanto você acorda cedo para pagar conta, empresários com fortunas milionárias viraram alvo de uma operação que investiga lavagem de dinheiro do PCC. A Operação Janus, deflagrada nesta terça-feira (21), colocou na mira Leo do Moinho e um sócio da UpBus — empresa de transporte com contratos gordos pelo país.
O dinheiro do crime organizado mais poderoso do Brasil teria encontrado abrigo em negócios aparentemente legítimos. Não é qualquer esquina de boca de fumo. Estamos falando de empresas estruturadas, com CNPJ, faturamento robusto e sobrenome limpo na porta.
Quem são os alvos
Leo do Moinho controla um império que vai muito além do nome bucólico. Seus negócios movimentam milhões. A UpBus, por sua vez, opera linhas de transporte em várias cidades brasileiras — dinheiro público, contratos com prefeituras, licitações.
A Polícia Federal não detalhou quanto dinheiro está em jogo. Mas operações contra lavagem de dinheiro do PCC costumam mirar valores na casa dos bilhões. Sim, com B maiúsculo.
O esquema investigado funcionaria assim: dinheiro sujo do crime entra por um lado, sai limpo do outro através de empresas legais. No meio do caminho, empresários respeitáveis — ou que pareciam respeitáveis até ontem.
O jogo do poder
A operação recebeu o nome Janus, o deus romano de duas faces. Coincidência? Improvável. A PF adora simbolismo e este cai como uma luva: empresários com uma face voltada para o mercado formal e outra para o submundo do crime.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados aos investigados. Computadores, documentos, celulares — tudo apreendido. O cerco está fechando.
Dinheiro que ninguém vê
O PCC deixou de ser há muito tempo aquela facção de presídio que a gente via nos filmes. Hoje é corporação. Tem departamento financeiro, investimentos, portfólio diversificado. Faltam apenas ações na B3.
E onde entra essa grana toda? Em empresas. Transportes, construção civil, agronegócio. Setores que movimentam muito dinheiro e onde é mais fácil camuflar a origem dos recursos.
A UpBus, por exemplo, tem contratos milionários. Se parte desse dinheiro vier de fonte ilícita, estamos falando de crime dentro de serviço público. Seu imposto sendo lavado.
O que vem por aí
Leo do Moinho e o sócio da UpBus ainda não se manifestaram publicamente. Advogados devem alegar inocência, pedir acesso aos autos, questionar provas. O roteiro é conhecido.
Mas a PF não deflagra operação desse tamanho sem ter cartas na manga. Grampos, quebras de sigilo bancário, delações — o arsenal é vasto.
Enquanto isso, o cidadão comum segue pagando passagem de ônibus sem saber que pode estar, indiretamente, financiando o crime organizado. É o Brasil das duas faces. Ou seria das mil faces?
A investigação segue em sigilo. Novos desdobramentos podem aparecer nos próximos dias. O PCC não costuma deixar pontas soltas — mas quando a PF aperta, até o crime corporativo treme.