Perito de Suzane cobra R$ 50 mil por laudo de falsa criança
Um laudo psiquiátrico pode custar até R$ 50 mil quando quem assina é Hewdy Lobo Ribeiro. O mesmo perito que avaliou Suzane von Richthofen — condenada por matar os pais em 2002 numa mansão em São Paulo — agora debruça-se sobre outro caso que virou manchete: a mulher de 25 anos que fingiu ter 12 para morar com uma família em Contagem, Minas Gerais.
O exame será entregue à Justiça em até 15 dias. E não sai barato.
O homem dos laudos milionários
Hewdy Lobo não é um psiquiatra qualquer. Ele é o nome que advogados de peso chamam quando o cliente tem dinheiro e o caso tem holofotes. Seu currículo inclui:
- Suzane von Richthofen — parricida da elite paulistana
- Alexandre Nardoni — acusado de matar a filha Isabella
- Lindemberg Alves — autor do caso Eloá
- Jairinho — ex-vereador acusado de matar o enteado Henry
Cada avaliação pode render entre R$ 20 mil e R$ 50 mil, segundo profissionais do setor. Em casos complexos, com múltiplas sessões e análise de documentos extensos, o valor sobe.
O caso da falsa criança
A mulher — cuja identidade não foi divulgada — convenceu uma família de classe média a acolhê-la dizendo ter 12 anos e estar em situação de vulnerabilidade. Durante meses, foi tratada como menor de idade. Dormiu em quarto de criança. Comeu à mesa da família. Frequentou ambientes infantis.
Até que a farsa desmoronou.
A Polícia Civil descobriu que ela tinha 25 anos e já havia aplicado golpes semelhantes em outras cidades. O caso ganhou repercussão nacional e virou investigação criminal. A defesa da acusada contratou Hewdy Lobo para avaliar seu estado mental.
"Quero entender se há transtorno de personalidade, se ela tinha plena consciência dos atos", disse o advogado da mulher ao Metrópoles.
A indústria da perícia VIP
Enquanto peritos do Estado recebem entre R$ 3 mil e R$ 8 mil por laudo, profissionais privados de elite faturam até dez vezes mais. A diferença está no nome, na experiência em tribunais do júri e na capacidade de transformar laudos técnicos em narrativas persuasivas.
Hewdy Lobo domina essa arte. Seus laudos já foram decisivos em absolvições, atenuações de pena e concessões de benefícios. Advogados sabem: quando o cliente pode pagar, Lobo é o homem.
Mas há um detalhe que poucos notam: a assimetria. Famílias de vítimas raramente têm acesso ao mesmo nível de perícia. Dependem de laudos oficiais, feitos às pressas, por profissionais sobrecarregados.
O que está em jogo
O laudo de Hewdy Lobo pode determinar se a mulher responderá por estelionato simples — com pena de 1 a 5 anos — ou se haverá atenuantes por transtorno mental. Pode definir se ela cumprirá pena em regime fechado ou será encaminhada para tratamento psiquiátrico.
Em outras palavras: o preço da justiça pode ser R$ 50 mil.
Enquanto isso, famílias comuns que não podem pagar peritos de grife dependem da sorte — e da boa vontade de profissionais do sistema público. A diferença entre um laudo básico e um laudo de Hewdy Lobo pode ser a diferença entre prisão e liberdade.
O mercado da perícia forense movimenta milhões por ano no Brasil. E os casos de grande repercussão são a vitrine que alimenta essa indústria.