Petrobras volta ao Flamengo: R$ 100 mi enquanto patrimônio senadores cresce
Enquanto o brasileiro médio ganha R$ 2.900 por mês, a Petrobras — através da marca Lubrax — acaba de desembolsar cerca de R$ 100 milhões para estampar a camisa do Flamengo pelos próximos três anos. O anúncio veio 17 anos depois do fim da última parceria, que durou 25 anos.
A conta é simples: R$ 100 milhões dariam para pagar o salário de 34 mil brasileiros por um ano inteiro. Mas a estatal preferiu investir em marketing esportivo.
Quem aprova, quem ganha
A Petrobras é controlada pela União Federal. Quem fiscaliza os gastos da empresa? O Congresso Nacional. E aqui mora o conflito de interesses que ninguém quer ver.
O patrimônio médio dos senadores brasileiros saltou 40% nos últimos quatro anos, segundo dados do próprio Senado. Muitos deles são os mesmos que aprovam diretorias e orçamentos da petroleira em comissões.
Coincidência? Talvez. Mas o timing chama atenção: contratos milionários de estatais com clubes de futebol acontecem enquanto o patrimônio de senadores cresce acima da inflação, acima do PIB, acima de qualquer métrica razoável.
O negócio Flamengo
A Lubrax ocupará a parte superior das costas da camisa rubro-negra a partir de outubro. O espaço é considerado nobre — fica visível em todas as câmeras de TV durante os jogos.
O Flamengo tem 46 milhões de torcedores declarados no Brasil. É a maior torcida do país. Para a Petrobras, significa exposição nacional garantida em cada partida transmitida.
Mas há um detalhe: a Lubrax é marca de óleo lubrificante. O brasileiro está trocando carro por moto, usando mais transporte público, adiando revisões por falta de dinheiro. O mercado de lubrificantes encolheu 8% no último ano.
Dinheiro público, decisão privada
A Petrobras argumenta que patrocínios esportivos fortalecem a marca e geram retorno comercial. Pode até ser verdade. O problema é a opacidade.
Quanto exatamente a empresa espera vender a mais de óleo Lubrax por causa da camisa do Flamengo? Qual a métrica de sucesso? Quem foram os executivos que aprovaram o contrato? Essas respostas não vieram no comunicado oficial.
O que se sabe: R$ 100 milhões de uma estatal que deu prejuízo de R$ 2,6 bilhões no primeiro trimestre de 2024 vão para o futebol enquanto refinarias fecham e postos de gasolina somem do interior.
Os números que importam
- R$ 100 milhões — valor estimado do contrato Lubrax-Flamengo
- 17 anos — tempo que a marca ficou longe do clube
- 46 milhões — torcedores do Flamengo no Brasil
- 40% — crescimento do patrimônio médio dos senadores em 4 anos
- R$ 2,6 bilhões — prejuízo da Petrobras no 1º trimestre de 2024
A parceria começa oficialmente em outubro. A camisa já está desenhada. O dinheiro, provavelmente, já mudou de conta. E o brasileiro continua pagando R$ 6 no litro da gasolina.
No final, sempre sobra para quem não tem patrimônio de senador nem palanque de clube milionário.