Políticos mais ricos do Brasil debatem quem paga a conta

Políticos mais ricos do Brasil debatem quem paga a conta
Foto: redir.folha.com.br

Enquanto você paga 33% do seu salário em impostos, os políticos mais ricos do Brasil debatem filosofia econômica em colunas de jornal.

A velha máxima voltou ao debate público: "é preciso fazer o bolo crescer, para depois dividi-lo". Bonito no papel. Cruel na prática.

O Clube dos Bilionários da Política

O debate sobre quem paga a conta do futuro ganhou novo capítulo com artigo assinado por Candido Bracher, ex-presidente do Itaú Unibanco e figura carimbada nos corredores do poder em Brasília.

Bracher defende o crescimento econômico antes da distribuição de renda. Uma tese que ecoa entre a elite política brasileira — coincidentemente, a mesma que acumula patrimônios milionários enquanto ocupa cargos públicos.

Os números não mentem: o Brasil tem senadores com fortunas declaradas acima de R$ 200 milhões. Deputados federais com patrimônios que rivalizam com empresários de médio porte.

A Conta que Nunca Chega para Quem Pode Pagar

A questão central não é se o bolo precisa crescer. Claro que precisa.

A questão é: quem segura a fôrma enquanto o bolo assa?

Dados da Receita Federal mostram que a carga tributária brasileira recai desproporcionalmente sobre consumo e salários. Os mais ricos? Pagam menos, proporcionalmente, que a classe média.

"Fazer o bolo crescer" virou eufemismo para adiar distribuição de renda indefinidamente.

Enquanto isso, reformas tributárias tramitam em câmera lenta. Sempre esbarra em "questões técnicas". Sempre precisa de "mais estudo".

O Verdadeiro Custo do Futuro

Políticos discutem macroeconomia. Famílias discutem se conseguem pagar o aluguel.

A elite política brasileira — incluindo economistas de plantão — defende crescimento sem tocar em privilégios fiscais, heranças bilionárias isentas e paraísos tributários para grandes fortunas.

O debate sobre "quem paga a conta do futuro" ignora convenientemente quem já está pagando a conta do presente: você.

  • Carga tributária média do brasileiro: 33% da renda
  • Tributação sobre grandes fortunas no Brasil: zero
  • Países que taxam grandes fortunas: 26 (incluindo França, Espanha, Noruega)
  • Posição do Brasil em desigualdade social: 10º mais desigual do mundo

A Fatura que Vence Todo Mês

Não existe almoço grátis. Alguém sempre paga.

No Brasil de 2026, quem paga são os de sempre: assalariados, pequenos empresários, classe média espremida entre impostos altos e serviços públicos precários.

Os políticos mais ricos do Brasil continuarão desfrutando de isenções, brechas legais e assessoria tributária de primeira linha.

O bolo pode até crescer. Mas enquanto quem segura a faca for sempre o mesmo, não se iluda sobre o tamanho da sua fatia.

Carolina Pereira Ferraz

Carolina Pereira Ferraz

Cronista de poder e dinheiro. Ex-Forbes Brasil, ex-Piauí. Especializada em rankings de riqueza, dinastias políticas e herdeiros do poder.