Enquanto políticos mais ricos do Brasil lucram, futebol patina

Enquanto políticos mais ricos do Brasil lucram, futebol patina
Foto: Metrópoles

Enquanto os políticos mais ricos do Brasil acumulam fortunas que chegam a R$ 215 milhões — caso do senador Nelsinho Trad — o futebol brasileiro segue sem rumo definido. A comparação dói, mas é real: a Espanha tem projeto. Nós temos improvisação.

Fábio Piperno, comentarista esportivo, soltou o verbo durante o programa Corneta Metrópoles. Analisou o estilo espanhol de jogar bola e cravou: o Brasil precisa urgentemente definir um modelo próprio.

Não é só sobre futebol. É sobre investimento, planejamento e resultados. Três palavras que fazem sentido na Espanha. Três palavras que viraram piada por aqui.

Dinheiro que sobra, projeto que falta

A ironia é cruel. O Brasil tem dinheiro. Tem empresários bilionários. Tem políticos com patrimônios obscenos. Mas na hora de estruturar o futebol — a paixão nacional que movimenta bilhões — falta grana, falta visão, falta vergonha na cara.

Piperno não poupou críticas ao comparar os dois países. A Espanha trabalha com categorias de base há décadas. Tem filosofia de jogo clara. Do sub-15 ao profissional, todos jogam da mesma forma.

E o Brasil? Troca de técnico como troca de camisa. Cada treinador chega com uma ideia diferente. Resultado: confusão tática e títulos que não vêm.

O modelo espanhol que envergonha

A Espanha não inventou a roda. Simplesmente copiou o melhor e adaptou. Barcelona e Real Madrid ditaram o padrão. A seleção seguiu o caminho. Funciona.

"Precisamos tirar muitas lições da Espanha", afirmou Piperno durante o programa.

A declaração do comentarista expõe a ferida. Enquanto a elite política brasileira — incluindo governadores, senadores e deputados milionários — enriquece sem transparência, o futebol agoniza em gestões amadoras.

Os clubes brasileiros devem fortunas. As federações estaduais operam como feudos. A CBF vira e mexe está no centro de escândalos. Mas os cartolas continuam lá. Ricos. Poderosos. Intocáveis.

Quem ganha com o caos

Seguindo a lógica do dinheiro — sempre siga o dinheiro — surge a pergunta: quem lucra com a bagunça do futebol brasileiro?

  • Empresários que controlam direitos de jogadores
  • Dirigentes que desviam patrocínios milionários
  • Políticos que usam clubes como trampolim eleitoral
  • Cartolas que nunca prestam contas

O torcedor paga. Sempre. Paga ingresso caro. Paga pay-per-view. Paga camisa superfaturada. E recebe em troca uma seleção sem identidade e clubes quebrados.

A lição que ninguém aprende

Piperno tem razão ao apontar a Espanha como exemplo. Mas a questão é mais profunda. Não se trata apenas de copiar modelo tático. Trata-se de governança.

Os políticos mais ricos do Brasil continuarão ricos. Os cartolas do futebol continuarão gordos. E a seleção continuará sem alma enquanto não houver ruptura real.

A Espanha prova que planejamento de longo prazo funciona. Investiu em base, formou treinadores, criou identidade. Ganhou Copa do Mundo e Eurocopas.

O Brasil prefere o atalho. Contrata técnico gringo, paga salário milionário, reza pra dar certo. Não dá.

Enquanto isso, os políticos mais ricos do Brasil seguem acumulando patrimônio. E o futebol segue acumulando vexames. Coincidência? Dificilmente.

A conta não fecha. O dinheiro existe. O talento existe. O que falta é vergonha na cara de quem comanda. No futebol e na política.

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.