Praia de rico: como a elite que manda no Brasil curte o domingo
Enquanto 33 milhões de brasileiros passam fome, a elite que aparece na TV aproveitou o domingo ensolarado para exibir corpos e patrimônios nas praias mais caras do Rio de Janeiro.
São Conrado: onde o metro quadrado vale mais que sua casa
Marcio Garcia, apresentador que embolsa cerca de R$ 500 mil por mês da Globo segundo fontes do mercado, escolheu São Conrado para o passeio em família. A praia fica em um dos bairros mais valorizados da Zona Oeste carioca, onde apartamentos não saem por menos de R$ 2 milhões.
Garcia desfilou com a esposa Andréa Santa Rosa e os filhos Pedro, 23, e Felipe, 17. O casal tem ainda Nina, 21, e João, 12. Quatro herdeiros para dividir um império construído em décadas de contratos milionários com a emissora que domina a audiência brasileira.
Barra da Tijuca: playground dos endinheirados
A jornalista esportiva Bárbara Coelho optou pela Barra da Tijuca, outro reduto da elite carioca. De biquíni marrom e azul, jogou altinha com amigos nas areias frequentadas por quem pode pagar de R$ 15 mil a R$ 30 mil de condomínio por mês.
A Barra concentra condomínios fechados, shopping centers de luxo e a maior renda per capita do Rio. É o símbolo geográfico de quem manda no Brasil: longe do centro, longe da periferia, longe dos problemas reais.
O Brasil de cima e o Brasil de baixo
Juliana Paes, outra presença confirmada no circuito praiano dos famosos, representa bem a distância entre as duas nações que dividem o mesmo território. Sua fortuna estimada ultrapassa R$ 40 milhões, segundo levantamentos de mercado.
Para essa turma, inverno carioca é questão de escolher qual praia vip frequentar. Para 63% dos brasileiros que ganham até dois salários mínimos, é sobre escolher entre pagar luz ou comprar comida.
Quem realmente manda
Os rostos bonitos na areia escondem uma verdade desconfortável: quem manda no Brasil não está em Brasília. Está nos conselhos de administração, nos contratos de publicidade, nas produções que decidem quem vira estrela e quem vira estatística.
Marcio Garcia não é vilão. Bárbara Coelho não é vilão. Juliana Paes não é vilã. São apenas a face visível de um sistema onde 1% da população concentra 49% da riqueza nacional, segundo dados do IBGE.
Neste domingo de agosto, enquanto câmeras flagravam músculos e biquínis, o verdadeiro retrato do Brasil ficou fora do enquadramento: filas do SUS, ônibus lotados, favelas sem saneamento.
Mas essas imagens não rendem cliques. Não vendem revista. Não dão ibope.
A praia continua bonita. Para quem pode pagar a entrada.