Preta Gil planejou velório milionário com festa VIP
Enquanto famílias brasileiras se endividam para pagar funerais de R$ 3 mil, Preta Gil revelou ter planejado um velório de luxo com drinks, música ao vivo e clima de festa. A diferença? Ela pode pagar.
Em registro obtido pelo Metrópoles, a artista detalhou uma cerimônia que mais parece evento corporativo de gente graúda do que despedida tradicional. Nada de flores baratas e café aguado. O velório dos sonhos de Preta inclui open bar e atmosfera festiva.
O Velório dos 1%
A cantora, filha de Gilberto Gil — patrimônio estimado em dezenas de milhões —, não quer choro no seu adeus. Quer champanhe. Ou algo parecido.
"Quero que seja uma celebração", teria dito Preta em conversa privada agora tornada pública. Música, bebida, gente bonita circulando. O tipo de evento que custa o que um brasileiro médio ganha em seis meses.
Funeral popular no Brasil sai por R$ 2.500 a R$ 4.000. Inclui caixão simples, flores modestas e velório de seis horas em sala apertada. Para quem tem dinheiro, o céu é o limite — literalmente.
Planejamento Antecipado
Preta não está doente terminal. Não está em perigo iminente. Simplesmente resolveu planejar. Como se planeja uma viagem à Europa ou a compra de um imóvel.
A classe alta brasileira tem esse luxo: planejar até a própria morte nos mínimos detalhes. Escolher a trilha sonora. Selecionar os convidados. Definir o cardápio.
- Velório tradicional: R$ 3.000
- Velório com música ao vivo: R$ 15.000+
- Open bar para 200 pessoas: R$ 30.000+
- Locação de espaço premium: R$ 50.000+
Enquanto isso, 38% dos brasileiros não têm como pagar funeral sem se endividar, segundo dados da Fipe.
A Indústria da Morte
O mercado funerário brasileiro movimenta R$ 5 bilhões ao ano. Mas é segmentado como shopping center: tem corredor para rico e corredor para pobre.
Funerárias de luxo em São Paulo oferecem pacotes de R$ 200 mil. Incluem velório em mansão, buffet assinado, floricultura importada e até assessoria de imprensa para gerenciar a cobertura.
No outro extremo, prefeituras enterram indigentes em covas rasas. Sem nome. Sem flores. Sem drinks.
O Direito de Sonhar
Preta Gil tem todo o direito de planejar o velório que quiser. O dinheiro é dela — ou da família. Ninguém questiona isso.
O incômodo está na distância. Na desigualdade tão profunda que até na morte somos separados por classes.
Ricos são velados em clubes. Pobres em capelas municipais sem ventilador.
Ricos têm banda ao vivo. Pobres têm rádio portátil tocando gospel.
Ricos servem canapés. Pobres dividem biscoito de água e sal.
"A morte é a única democracia verdadeira", dizia o ditado. Mentira. Até morrer é privilégio no Brasil.
Preta Gil não fez nada errado ao planejar sua despedida. Apenas expôs, sem querer, o abismo que separa quem pode sonhar até com o próprio funeral e quem torce para não morrer em dia de chuva — porque enterro sob temporal é mais barato que aluguel de tenda.