Quem manda no Brasil? Dono de clínica vira réu por idosos mortos

Quem manda no Brasil? Dono de clínica vira réu por idosos mortos
Foto: Metrópoles

Dois idosos mortos. Prensados em um elevador. Uma clínica que cobra fortunas para cuidar de quem já não pode se defender sozinho.

O dono do estabelecimento, cujo nome circula nos corredores do poder econômico gaúcho, agora é réu. O Ministério Público do Rio Grande do Sul denunciou o empresário e o engenheiro responsável pela manutenção do equipamento que se transformou em armadilha mortal.

O negócio da velhice

Clínicas geriátricas movimentam bilhões no Brasil. Famílias pagam entre R$ 8 mil e R$ 30 mil mensais para garantir que pais e avós recebam cuidados dignos na terceira idade.

Mas quem fiscaliza quem lucra com essa vulnerabilidade?

No caso que chocou o Rio Grande do Sul, a resposta é brutal: ninguém fiscalizou o suficiente. O elevador que matou dois pacientes idosos tinha histórico de problemas. A manutenção, segundo investigações, foi negligenciada.

Quem responde quando o lucro mata

A denúncia do MPRS mira dois alvos: o proprietário da clínica e o engenheiro contratado para garantir a segurança do equipamento.

Ambos responderão por homicídio culposo — quando não há intenção de matar, mas a morte resulta de negligência, imprudência ou imperícia.

A pena pode chegar a três anos de prisão. Para quem?, perguntam familiares das vítimas. Para empresários que faturam milhões enquanto idosos morrem prensados entre andares?

"Minha mãe pagou caro para ser bem tratada. Morreu como animal", desabafou um familiar em depoimento à polícia.

O padrão que se repete

Esta não é a primeira tragédia do tipo no país. Em 2019, uma idosa morreu em elevador de clínica em São Paulo. Em 2021, outro caso semelhante em Minas Gerais.

O padrão é sempre o mesmo:

  • Estabelecimentos de alto padrão
  • Mensalidades que sangram orçamentos familiares
  • Manutenção negligenciada
  • Mortes evitáveis
  • Processos que arrastam anos na Justiça

Enquanto isso, o setor cresce. O Brasil terá 30% de idosos até 2050. O mercado se prepara para faturar ainda mais.

Quem manda quando a lei chega

A denúncia do Ministério Público é apenas o primeiro passo. Agora começa a dança jurídica que pode durar uma década.

Recursos, apelações, prescrições. O sistema brasileiro favorece quem tem dinheiro para pagar os melhores advogados.

As famílias das vítimas esperam justiça. O empresário denunciado segue tocando seus negócios. O engenheiro contratou defesa de peso.

No fim, a pergunta que fica: quem realmente manda no Brasil? Quem paga pelo crime ou quem pode pagar para protelar a punição?

Dois idosos morreram prensados em um elevador. Alguém vai pagar por isso além das famílias que já pagaram com a vida de quem amavam?

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.