Quem manda no Brasil? A ex-Caixa que quer virar vice

Quem manda no Brasil? A ex-Caixa que quer virar vice
Foto: Metrópoles

Enquanto você luta para pagar as contas, a elite política já está desenhando o mapa do poder para 2026. E tem uma mulher que saiu da presidência da Caixa Econômica Federal — banco que movimenta R$ 1,7 trilhão — direto para os bastidores da sucessão presidencial.

Daniella Marques, 45 anos, ex-presidente da Caixa e atual cotada para vice na chapa de Flávio Bolsonaro ao Senado, saiu em defesa das mulheres de direita nesta segunda-feira (20). O palco? Uma live com Eduardo Bolsonaro, deputado federal e filho do ex-presidente.

A tese da não-submissão

"Mulher de direita não é submissa", disparou Daniella durante a transmissão. A frase não é inocente. É recado direto para quem acusa o bolsonarismo de machismo e para quem duvida do espaço feminino na direita brasileira.

Mas vamos aos fatos que importam: quem é essa mulher que pode estar a um passo do poder legislativo?

"A gente precisa mostrar que mulher de direita tem voz própria, tem força e não se submete a ninguém"

Do cofre federal aos palanques

Daniella comandou a Caixa entre 2021 e 2022, no governo Bolsonaro. Ali, ela tinha nas mãos:

  • O maior banco público do país
  • A execução do Auxílio Brasil (hoje Bolsa Família)
  • O controle de programas habitacionais bilionários
  • Acesso direto ao Palácio do Planalto

Sair de uma cadeira dessas para concorrer a vice-governador ou senador não é movimento de quem quer sossego. É estratégia de quem sabe que poder real não está só no Executivo.

Quem manda no Brasil em 2026?

A resposta ainda está sendo escrita. Mas os personagens já estão em cena.

Flávio Bolsonaro articula sua candidatura ao Senado pelo Rio de Janeiro. Precisa de um nome técnico, com trânsito no mercado, que não assuste o empresariado. Daniella encaixa perfeitamente.

Ela traz currículo: economista, passou pelo Ministério da Economia antes da Caixa, conhece os mecanismos do dinheiro público como poucos. E agora embarca na narrativa política.

O xadrez dos Bolsonaro

Eduardo Bolsonaro não escolheu Daniella para a live por acaso. O deputado federal é peça-chave na internacionalização do bolsonarismo e na ponte com o setor financeiro.

A live foi teste. Daniella precisava mostrar que sabe jogar o jogo político, que tem discurso afiado, que não é só técnica.

E o tema escolhido — mulheres de direita — é calculado. Mira um eleitorado feminino conservador que se sente atacado pela esquerda e ignorado pela mídia tradicional.

Quanto vale uma vice?

Politicamente, uma vice bem escolhida pode significar milhões de votos. Daniella traz credenciais que Flávio Bolsonaro não tem: perfil técnico, passagem pelo setor financeiro, imagem de gestora.

No Senado, cada cadeira vale ouro. São apenas 81 senadores no Brasil. Quem ocupa essas vagas tem poder de vetar ou aprovar qualquer mudança na Constituição, qualquer reforma, qualquer nome para tribunais superiores.

É ali que se decide quem manda no Brasil de verdade.

O recado ao mercado

Enquanto isso, você paga R$ 6,50 no litro da gasolina e vê seu salário derreter na inflação. Mas os bastidores do poder já têm nome, sobrenome e estratégia montada para os próximos anos.

Daniella Marques não está fazendo live por hobby. Está construindo pontes entre o bolsonarismo raiz e o bolsonarismo palatável para bancos e empresas.

E quando uma ex-presidente da Caixa vira peça de campanha política, é porque alguém muito poderoso está apostando fichas nela.

A pergunta que fica: quem está bancando essa aposta?

Carolina Pereira Ferraz

Carolina Pereira Ferraz

Cronista de poder e dinheiro. Ex-Forbes Brasil, ex-Piauí. Especializada em rankings de riqueza, dinastias políticas e herdeiros do poder.