Quem manda no Brasil: Lula domina máquina em 25 estados

Quem manda no Brasil: Lula domina máquina em 25 estados
Foto: Metrópoles

Vinte e cinco estados. Esse é o placar atual de quem manda no Brasil quando o assunto é articulação política para 2026. Enquanto Lula costura alianças bilionárias em prefeituras e governos estaduais, Flávio Bolsonaro ainda tenta decolar em seis estados onde o palanque simplesmente não sai do papel.

A matemática é simples: cada estado vale acesso a máquinas públicas, recursos de campanha e tempo de TV. E Lula está virando o tabuleiro sozinho.

O preço de cada palanque

Não estamos falando de simpatia ideológica. Estamos falando de poder financeiro real. Cada governador aliado representa controle sobre orçamentos estaduais que somam bilhões de reais. Cada prefeito de capital é uma plataforma de lançamento eleitoral avaliada em centenas de milhões em recursos de campanha.

Lula fechou acordos em 25 estados mais o Distrito Federal. Flávio Bolsonaro conseguiu articular palanques sólidos em apenas 19 estados. Em seis unidades da federação, o filho do ex-presidente enfrenta rachas, dissidências e falta de liderança local disposta a bancar o sobrenome.

O único território ainda em disputa aberta? Goiás. Lá, nem Lula conseguiu amarrar o pacote completo.

A máquina contra o sobrenome

O contraste é brutal. De um lado, um ex-presidente com 40 anos de articulação sindical, petista e presidencial. Do outro, um senador tentando converter capital político paterno em rede própria.

Lula usa a estrutura do PT, PCdoB, PSol e partidos satélites. Mais importante: usa a Presidência da República. Cada visita oficial vira palanque disfarçado. Cada inauguração de obra federal, moeda de troca.

Flávio depende do PL e de alianças frágeis com partidos de direita que ainda disputam entre si quem será o verdadeiro herdeiro do bolsonarismo. Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, é o principal concorrente interno dessa queda de braço.

Quem manda em cada canto

A geografia do poder brasileiro está sendo redesenhada agora, nas convenções partidárias que começaram em julho. Cada encontro partidário define não apenas candidatos a prefeito, mas alianças estratégicas para a corrida presidencial de 2026.

Os seis estados onde Flávio ainda patina são territórios críticos:

  • Governadores de centro que não querem se queimar com Bolsonaro
  • Caciques locais do PL que preferem autonomia
  • Lideranças que já negociam silenciosamente com Lula

Cada dia sem palanque definido é dinheiro e tempo de TV perdidos. E o relógio não para.

O jogo dos bilhões

Essa disputa não é sobre ideologia. É sobre dinheiro, máquina e capacidade de mobilização. Lula aprendeu em cinco décadas de política que quem controla prefeitos controla verbas federais, obras e empregos públicos.

Flávio está aprendendo que sobrenome famoso não garante lealdade. Política brasileira se paga em cargos, emendas parlamentares e promessas de investimento federal.

Vinte e cinco a dezenove. Esse é o placar de quem realmente manda no Brasil hoje. E ainda faltam dois anos para a eleição.

O resto é teatro para consumo das redes sociais.

Carolina Pereira Ferraz

Carolina Pereira Ferraz

Cronista de poder e dinheiro. Ex-Forbes Brasil, ex-Piauí. Especializada em rankings de riqueza, dinastias políticas e herdeiros do poder.