Rachel Sheherazade quer vaga de R$ 190 mil/mês em Brasília
Rachel Sheherazade, 50 anos, quer trocar o estúdio de TV por uma cadeira em Brasília. O prêmio? Salário bruto de R$ 44 mil mensais — que, com verbas e benefícios, pode ultrapassar R$ 190 mil.
A jornalista oficializou sua pré-candidatura a deputada federal por São Paulo nesta semana. Partido escolhido: PSD, legenda do ex-ministro Gilberto Kassab, com 54 deputados federais e orçamento milionário para campanhas.
O PSD e as dinastias políticas brasileiras
O PSD não é novato no jogo do poder. Fundado em 2011 por dissidentes do DEM, o partido rapidamente se tornou refúgio de figuras tradicionais da política nacional.
Kassab, o cacique da sigla, construiu sua base entre prefeitos do interior — especialmente em São Paulo, Bahia e Minas Gerais. São redutos históricos de clãs políticos que se perpetuam há décadas.
Em 2022, o PSD elegeu nomes como Alexandre Kalil (ex-prefeito de BH) e apadrinhou candidaturas ligadas a famílias centenárias na política brasileira.
Para Rachel, filiar-se ao PSD significa acessar essa máquina. O partido tem R$ 238 milhões do fundo eleitoral reservados para 2026.
Nem direita, nem esquerda — só pragmatismo
Em vídeo nas redes sociais, Rachel rejeitou rótulos ideológicos. "Não me encaixo em caixinhas", disse. Prometeu defender "justiça social" e "segurança pública" — bandeiras genéricas que agradam gregos e troianos.
A estratégia é conhecida. Evitar posicionamento radical amplia o eleitorado. Funciona especialmente em São Paulo, estado com 34 milhões de eleitores e disputas pulverizadas.
Rachel ficou famosa pelos editoriais duros no SBT, onde trabalhou por 12 anos. Deixou a emissora em 2021 após polêmicas — incluindo críticas à cobertura da pandemia.
O salto para a política
Celebridades migrando para Brasília não são novidade. Tiririca, Romário, Magno Malta — todos fizeram a travessia com sucesso eleitoral variado.
A diferença está no timing. Rachel se lança em 2026, ano de eleições gerais, quando a fragmentação partidária deve bater recorde.
São Paulo elege 70 deputados federais. Em 2022, o PSD conquistou 5 cadeiras paulistas — desempenho modesto perto de gigantes como PT (14 cadeiras) e PL (12 cadeiras).
Para vencer, Rachel precisará de ao menos 200 mil votos — número que exige estrutura robusta, palanques regionais e alianças locais.
Quanto custa uma campanha vencedora?
Candidaturas competitivas a deputado federal em SP custam entre R$ 2 milhões e R$ 8 milhões. O dinheiro vem do fundo eleitoral, doações privadas (limitadas) e recursos próprios.
O PSD de Kassab tem caixa. Mas Rachel precisará negociar internamente com outros pré-candidatos do partido — disputa que começa agora, meses antes das convenções.
O xadrez político já começou. Rachel aposta na visibilidade construída na TV para furar a bolha das dinastias políticas brasileiras.
Se vai conseguir, só 2026 dirá.