Raquel Lyra busca reeleição: quanto vale o patrimônio da governadora
Enquanto o salário mínimo bate R$ 1.518, políticos disputam cargos que garantem salários de R$ 41 mil mensais. Em Pernambuco, o PSD oficializou na convenção partidária a candidatura de Raquel Lyra à reeleição como governadora — um posto que rende R$ 25,4 mil por mês, além de moradia oficial e estrutura de gabinete.
A governadora, 42 anos, enfrenta o ex-prefeito do Recife João Campos, do PSB, em uma das disputas estaduais mais caras do país. Campos deixou a prefeitura com 80% de aprovação. Lyra tenta mostrar serviço para compensar números menores nas pesquisas.
Quanto vale quem manda
Raquel Lyra declarou patrimônio de R$ 1,2 milhão na última eleição. O valor inclui imóveis e aplicações financeiras. João Campos declarou R$ 890 mil em 2024, quando foi reeleito prefeito.
A diferença pode parecer pequena. Mas o prêmio da disputa é grande: governador de Pernambuco controla orçamento de R$ 50 bilhões anuais. Contratos, obras, cargos — tudo passa pelo Palácio do Campo das Princesas.
Os bastidores da convenção
A convenção do PSD definiu também a chapa completa. Vice, deputados estaduais e federais — todos homologados em evento fechado, sem transmissão aberta. Política se faz assim: portas fechadas, decisões tomadas, povo assistindo de fora.
O partido de Gilberto Kassab apostou R$ 180 milhões no fundo eleitoral de 2024. Parte desse dinheiro irrigará a campanha de Raquel em 2026. Dinheiro público financiando campanha de quem já está no poder.
A matemática do poder em Pernambuco
Pernambuco tem 7,1 milhões de eleitores. Cada voto conquistado custará cerca de R$ 8 a R$ 12, considerando os gastos médios de campanhas estaduais. Multiplicado pela máquina pública e pelos favores trocados nos bastidores, o preço real sobe exponencialmente.
Raquel Lyra assumiu em 2023 como a primeira mulher eleita governadora do estado. Herdou dívidas, promessas não cumpridas e uma máquina administrativa inchada. Tentará vender a narrativa de renovação — mesmo sendo a candidata da situação.
O que está em jogo
Quem vencer comandará:
- Orçamento de R$ 50 bilhões por ano
- 155 mil servidores estaduais
- Nomeação de secretários, presidentes de estatais e cargos comissionados
- Controle sobre polícia, educação e saúde estaduais
João Campos conta com a máquina do PSB, que governa Pernambuco há décadas por meio da família Campos. Eduardo Campos, seu pai, morreu em acidente aéreo em 2014 quando disputava a Presidência. O sobrenome vale votos e dinheiro.
Raquel tenta descolar da imagem de herdeira política — mesmo tendo sido deputada federal antes de virar governadora. Seu desafio: convencer o eleitor de que merece mais quatro anos no comando.
A eleição acontece em outubro de 2026. Até lá, Pernambuco verá desfilar promessas, números maquiados e debates acalorados. O vencedor levará não apenas o cargo. Levará quatro anos de decisões que movimentarão bilhões.
E o eleitor? Assiste de camarote. Ou melhor: de arquibancada. Sem ar-condicionado.