Requião Filho negocia vice com Alckmin: patrimônio e poder em jogo

Requião Filho negocia vice com Alckmin: patrimônio e poder em jogo
Foto: Metrópoles

Enquanto a maioria dos brasileiros luta para fechar as contas do mês, os herdeiros das dinastias políticas negociam cargos em Brasília como se trocassem figurinhas. Requião Filho, pré-candidato do PDT ao governo do Paraná, marcou presença no gabinete do vice-presidente Geraldo Alckmin. O objetivo? Destravar o palanque do PSB no estado e oferecer o cargo de vice na chapa.

A reunião não foi casual. Filho do ex-governador Roberto Requião — cujo patrimônio declarado ultrapassa R$ 8 milhões segundo dados do TSE — o deputado estadual precisa do apoio socialista para viabilizar sua candidatura. Do outro lado da mesa, Alckmin, com patrimônio declarado de R$ 1,7 milhão, opera como articulador-mor do governo Lula nos estados.

O jogo de xadrez paranaense

O Paraná virou tabuleiro de guerra. Requião Filho enfrenta resistência dupla: dentro do próprio PDT e na base aliada do governo federal. O PSB paranaense resiste em embarcar na empreitada pedetista. A moeda de troca colocada sobre a mesa? A vice-governadoria.

Nos bastidores, o cálculo é simples. Alckmin detém influência direta sobre o PSB nacional. Uma palavra do vice-presidente pode mover montanhas — ou palanques. A sigla possui estrutura relevante no Paraná e pode fazer diferença numa disputa acirrada.

Dinastia política e patrimônio

O sobrenome Requião pesa no Paraná há décadas. Roberto Requião governou o estado três vezes e foi senador. Agora, o filho tenta perpetuar o legado familiar. O patrimônio declarado pelos senadores brasileiros revela o abismo entre representantes e representados.

Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que senadores acumulam bens milionários enquanto negociam o futuro do país. A média patrimonial ultrapassa R$ 4 milhões por parlamentar. No jogo político, patrimônio se traduz em capital eleitoral, estrutura de campanha e influência.

Alckmin, o articulador

Geraldo Alckmin reinventou-se politicamente. Após décadas no PSDB paulista, migrou para o PSB e assumiu papel estratégico no governo petista. Sua função? Construir pontes, negociar palanques, garantir governabilidade. O Paraná entrou na lista de prioridades.

A reunião com Requião Filho integra movimento mais amplo. O governo federal trabalha para montar coligações competitivas nos estados-chave. O Paraná, com seu peso eleitoral e econômico, não pode ficar de fora.

O preço do apoio

Política custa caro. Cada palanque tem preço — medido em cargos, promessas e compromissos futuros. O PSB paranaense avalia se vale a pena trocar autonomia por espaço numa chapa pedetista. A vice-governadoria é moeda forte, mas não resolve tudo.

Lideranças socialistas no estado dividem-se. Parte prefere candidatura própria ou aliança com legendas maiores. Outra ala vê na composição com Requião Filho oportunidade de voltar ao Palácio Iguaçu, sede do governo estadual.

Bastidores bilionários

Enquanto a negociação avança, o eleitor comum assiste de longe. As campanhas que virão consumirão milhões em publicidade, eventos e estrutura. O fundo eleitoral e partidário bancará boa parte da conta — com dinheiro público.

O patrimônio dos senadores e políticos profissionais contrasta com a realidade da população. Mas é nesse cenário que se define quem vai governar, quem vai decidir sobre impostos, saúde e educação.

Requião Filho saiu da reunião sem resposta definitiva. Alckmin prometeu conversar com as lideranças do PSB. A novela continua. E o eleitor, como sempre, aguarda para saber quem vai disputar seu voto — e seu bolso.

Fernando Andrade Villela

Fernando Andrade Villela

Investigador financeiro. Cobre offshores, patrimônio declarado vs. real, e o cruzamento entre política e mercado.