Ricos do Congresso ignoram maioria feminina em MG

Ricos do Congresso ignoram maioria feminina em MG
Foto: Metrópoles

Enquanto os ricos do Congresso embolsam verbas milionárias em Brasília, 52,48% do eleitorado de Minas Gerais que pode tirá-los do poder em 2026 são mulheres. O dado é do Tribunal Superior Eleitoral.

São 10,6 milhões de eleitoras aptas a votar em outubro contra 9,6 milhões de homens no estado que historicamente define eleições presidenciais.

Mas onde está esse poder na prática?

O dinheiro fala mais alto

A bancada mineira no Congresso Nacional — uma das maiores do país — segue dominada por homens. E ricos. Muito ricos.

Deputados e senadores que ostentam patrimônios declarados de milhões controlam comissões, emendas e destinam recursos que afetam diretamente a vida dessas 10,6 milhões de mulheres.

A ironia é clara: elas são maioria nas urnas, minoria no poder.

Números que não mentem

O levantamento do TSE coloca Minas Gerais como laboratório perfeito para entender a distorção da representatividade brasileira.

  • 52,48% do eleitorado mineiro é feminino
  • 47,52% é masculino
  • Diferença de quase 1 milhão de votos a favor das mulheres

Mesmo assim, a composição da bancada federal mineira não reflete essa realidade. Os homens seguem maioria absoluta entre os eleitos.

Quem lucra com isso

Os ricos do Congresso sabem fazer contas. Sabem que precisam dos votos femininos para se eleger.

Por isso, nas campanhas, multiplicam-se as promessas: creches, combate à violência doméstica, igualdade salarial.

Depois da posse, o roteiro muda. O orçamento secreto — agora rebatizado — continua irrigando bases eleitorais masculinas. As emendas parlamentares vão para onde sempre foram: obras de concreto, não políticas para mulheres.

Em 2022, deputados federais de Minas Gerais declararam patrimônios que somam centenas de milhões de reais. Empresários, fazendeiros, donos de emissoras de rádio.

Quantas mulheres nessa lista do topo? Contam-se nos dedos de uma mão.

A conta que não fecha

Se as mulheres são maioria entre quem vota, mas minoria entre quem é votado e eleito, alguém está lucrando com essa matemática torta.

E não são as eleitoras.

Os partidos políticos, por lei, deveriam destinar 30% dos recursos de campanha para candidaturas femininas. Na prática, o dinheiro gordo vai para os homens. Sempre foi assim.

O resultado: candidatas sem estrutura, sem tempo de televisão, sem dinheiro para rodar o estado.

Enquanto isso, os ricos do Congresso renovam mandatos com folga.

O que muda em 2026

Com 20,2 milhões de eleitores aptos, Minas Gerais será novamente decisivo nas eleições gerais.

As mulheres, como maioria, têm nas mãos o poder de virar esse jogo.

Ou de mantê-lo exatamente como está.

A pergunta é simples: elas vão continuar elegendo os mesmos ricos que as ignoram há décadas?

Outubro de 2026 responde.

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.