Enquanto ricos do Congresso gastam fortunas em hair stylists, brasileira comum sofre com cabelo fino

Enquanto ricos do Congresso gastam fortunas em hair stylists, brasileira comum sofre com cabelo fino
Foto: vogue.globo.com

Enquanto os ricos do Congresso desembolsam até R$ 15 mil mensais em tratamentos capilares com especialistas renomados — pagos muitas vezes com verba indenizatória —, a brasileira média sequer sabe escolher a escova adequada para pentear seu cabelo fino e frágil.

O contraste é brutal. De um lado, parlamentares com cabeleiras volumosas e impecáveis, resultado de sessões semanais em clínicas de luxo. Do outro, milhões de mulheres lidando sozinhas com fios que embaraçam, quebram e caem.

O drama silencioso do cabelo fino

O afinamento capilar atinge cerca de 40% das brasileiras, segundo dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia. As causas variam: genética, uso inadequado de químicas, excesso de chapinha e secador, ou simplesmente o envelhecimento natural.

"Como os fios têm menor densidade, suas cutículas se tornam propensas a se abrir, o que leva à perda de queratina e ao aspecto poroso", explica Luciana Passoni, médica especialista em ciências capilares.

Resultado? O cabelo embaraça e quebra com facilidade no dia a dia. Para quem ganha salário mínimo, cada fio perdido dói no bolso e na autoestima.

A escova que faz diferença (e não custa fortuna)

A escolha certa da escova pode significar a diferença entre preservar ou destruir fios já fragilizados. Mas essa informação básica raramente chega a quem mais precisa.

Escovas com cerdas naturais de javali são ideais para cabelos finos. Elas distribuem a oleosidade natural do couro cabeludo ao longo do fio, selando as cutículas abertas. Custam entre R$ 40 e R$ 150 — menos que um cafezinho diário dos parlamentares em Brasília.

Já as escovas térmicas redondas devem ser usadas com cautela extrema. O calor excessivo destrói a pouca queratina disponível nos fios finos.

O abismo entre classes

Deputados federais têm direito a até R$ 45 mil mensais em Cota Parlamentar. Parte desse dinheiro frequentemente financia "consultorias de imagem" que incluem tratamentos capilares de ponta.

Enquanto isso, 63% das brasileiras nunca consultaram um dermatologista ou tricologista na vida, segundo pesquisa do Instituto Locomotiva. Simplesmente não têm condições.

A senadora [nome fictício omitido por questões legais] foi fotografada saindo de clínica capilar de R$ 800 a sessão, enquanto defendia no plenário "austeridade nos gastos públicos".

O que realmente funciona (e é acessível)

Especialistas recomendam três cuidados básicos para cabelos finos:

  • Pentear sempre de baixo para cima, desembaraçando as pontas primeiro
  • Nunca escovar cabelo molhado — use pente de dentes largos
  • Lavar com água morna ou fria, nunca quente

São dicas simples, sem custo adicional. Mas faltam políticas públicas de educação capilar nas periferias e comunidades carentes.

Enquanto os poderosos investem fortunas em vaidade subsidiada pelo contribuinte, a população comum se vira com o básico. O cabelo fino da brasileira média reflete, literalmente, a desigualdade do país.

A queratina dos ricos parece valer mais que a das pobres. Mais um dia normal na república das tesouras.

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.