Ricos do Congresso gastam em soundbar o que pobre ganha em 1 ano

Ricos do Congresso gastam em soundbar o que pobre ganha em 1 ano
Foto: olhardigital.com.br

Um soundbar de última geração custa R$ 15 mil. O salário mínimo brasileiro em 2026 é R$ 1.518. Faça as contas: um deputado compra o sistema de som. Um trabalhador precisa de 10 meses de salário integral para o mesmo produto.

Bem-vindo ao Brasil dos contrastes. Enquanto os ricos do Congresso debatem reajustes próprios e verbas de gabinete que chegam a R$ 120 mil mensais, a Amazon brasileira anuncia "promoções" de soundbars que custam o equivalente a anos de trabalho para quem ganha o mínimo.

O que está em jogo

A JBL lançou o Cinema SB180, um sistema de som 2.1 canais com subwoofer sem fio. Preço: a partir de R$ 1.200 na promoção. Para os padrões da classe média alta — aquela que povoa o Congresso Nacional — é troco de cafezinho.

Para 38 milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza, segundo dados do IBGE, é quase um salário inteiro jogado em caixas de som.

Quem compra e quanto ganha

Os ricos do Congresso — deputados e senadores — têm salário base de R$ 44 mil. Fora auxílios. Fora moradia. Fora passagens aéreas ilimitadas.

Um senador gasta em um jantar o que um soundbar JBL custa. E ainda sobra para a gorjeta.

A Amazon oferece três modelos em destaque: JBL Cinema SB180 (R$ 1.200), Samsung HW-Q600C com Dolby Atmos (R$ 2.800) e LG SP8YA com inteligência artificial (R$ 3.500).

Todos com Bluetooth. Todos com subwoofer potente. Todos com tecnologia de cinema em casa.

A matemática do abismo

Enquanto isso, 33 milhões de brasileiros passam fome, segundo a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar. Eles não debatem qual soundbar comprar. Eles debatem se jantam ou se guardam para o café da manhã.

Os parlamentares — nossos representantes — aprovaram em 2025 um orçamento secreto de R$ 19,4 bilhões. Daria para comprar 16 milhões de soundbars JBL. Ou alimentar as 33 milhões de pessoas com fome por meses.

O interesse real

A Amazon lucra. As marcas vendem. Os influenciadores ganham comissão por link de afiliado. E o brasileiro médio? Assiste à novela na TV comum, sem Dolby Audio, sem subwoofer, muitas vezes sem jantar.

Os soundbars existem. São bons. Melhoram a experiência de assistir filmes. Mas a pergunta permanece: para quem?

Para os ricos do Congresso, é acessório. Para o Brasil real, é sonho distante.

A JBL anuncia "som de cinema em casa". O Brasil precisa de comida na mesa primeiro.

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.