Ricos do Congresso querem banir bets do futebol brasileiro

Ricos do Congresso querem banir bets do futebol brasileiro
Foto: Congresso em Foco

Enquanto o brasileiro médio perde o salário em apostas online, os ricos do Congresso descobriram um novo hobby: proibir patrocínios de bets no futebol.

A polêmica do Corinthians com a VaideBet — contrato de R$ 370 milhões rompido sob acusações de irregularidades — virou munição para parlamentares milionários atacarem a indústria que eles mesmos liberaram.

Dois projetos de lei tramitam agora na Câmara Municipal de São Paulo e na Assembleia Legislativa. O objetivo? Barrar conteúdo adulto — leia-se: casas de apostas — de uniformes, transmissões, estádios e até espaços públicos da capital.

O dinheiro que ninguém quer largar

Os números explicam o nervosismo. O mercado de apostas esportivas movimenta R$ 67 bilhões por ano no Brasil. Só o Corinthians embolsaria quase R$ 400 milhões até 2026 com a VaideBet.

Flamengo, Palmeiras, São Paulo — todos os grandes clubes têm contratos milionários com casas de apostas. É dinheiro fácil. Dinheiro rápido. Dinheiro que paga salários absurdos de jogadores medianos.

Agora os ricos do Congresso querem moralizar o que já está podre. Querem proibir a publicidade, mas não tocam no problema real: a regulamentação frouxa que eles mesmos aprovaram.

Quem está por trás dos projetos

Na Câmara Municipal, vereadores que ganham R$ 18 mil por mês propõem banir anúncios de bets em parques, estações de metrô e centros culturais. Espaços onde trabalhadores ganham salário mínimo e são bombardeados por promessas de enriquecimento rápido.

Na Assembleia Legislativa estadual, o projeto vai além: quer proibir qualquer exposição de conteúdo adulto relacionado a apostas em eventos esportivos realizados em São Paulo.

Os mesmos políticos que recebem doações de empresas do setor. Os mesmos que votaram pela liberação das apostas online em 2018. Os mesmos que nunca pisaram num estádio na arquibancada.

O conflito real

De um lado: clubes quebrados dependentes de patrocínios duvidosos para sobreviver. Do outro: parlamentares ricos fingindo preocupação moral enquanto o povo afunda em dívidas de apostas.

O Corinthians tem dívida superior a R$ 2 bilhões. Precisa de dinheiro de qualquer jeito. A VaideBet estava ali, com os R$ 370 milhões. Até que não estava mais. Investigações da Polícia Federal revelaram suposto esquema de lavagem de dinheiro.

A solução dos ricos do Congresso? Proibir a publicidade. Não investigar melhor. Não regular melhor. Apenas esconder o problema debaixo do tapete.

Quanto custa a hipocrisia

Enquanto os projetos tramitam, brasileiros continuam perdendo casa, carro e dignidade em apostas. Mais de 24 milhões de pessoas usam plataformas de bets no país. A maioria perde dinheiro. Sempre.

Os clubes continuam contratando jogadores caros com dinheiro de empresas investigadas. Os ricos do Congresso continuam recebendo seus salários polpudos, seus auxílios, suas mordomias.

E o torcedor? Esse paga ingresso caro, perde no site de apostas estampado no uniforme do time e ainda vai assistir parlamentário rico explicar na TV que está protegendo a sociedade.

O circo continua. O dinheiro muda de mãos. Sempre das mesmas para as mesmas.

Fernando Andrade Villela

Fernando Andrade Villela

Investigador financeiro. Cobre offshores, patrimônio declarado vs. real, e o cruzamento entre política e mercado.