Ricos do Congresso: TCU libera supersalários e pede 40% a mais
Enquanto o brasileiro médio ganha R$ 3.135 por mês, os ricos do Congresso e do TCU acabam de dar um show de cara de pau. No mesmo dia — leia de novo: no mesmo dia — em que liberaram salários acima do teto constitucional, os ministros do Tribunal de Contas da União mandaram um projeto ao Congresso pedindo aumento de até 40% nos penduricalhos.
O teto constitucional existe por uma razão: nenhum servidor deveria ganhar mais que os R$ 44 mil mensais de um ministro do STF. Mas para os ricos do Congresso, tetos são apenas sugestões.
A Jogada Dupla
A estratégia foi cirúrgica. Primeiro, o TCU aprovou uma decisão liberando remunerações acima do teto para servidores da Câmara, do Senado e do próprio tribunal que ocupam cargos de chefia e direção. Supersalários legalizados com uma canetada.
Depois, na mesma data, encaminharam ao Congresso um projeto de lei aumentando entre 35% e 40% o valor dos penduricalhos pagos justamente a esses postos privilegiados dentro da corte.
Penduricalhos, para quem não acompanha o jargão de Brasília, são aquelas gratificações extras que inflam contracheques: auxílio-moradia, gratificação de função, indenizações variadas. O nome já diz tudo.
Quem Ganha Com Isso
Os beneficiados diretos são os ocupantes de cargos de chefia e direção no TCU, na Câmara e no Senado. Gente que já está no topo da pirâmide salarial do funcionalismo público.
O projeto de lei agora depende da aprovação do Congresso. E adivinhe? Os mesmos parlamentares que terão seus assessores e servidores de confiança beneficiados pela medida é que vão votar.
É o equivalente a você mesmo aprovar seu próprio aumento de salário. Conveniente.
O Timing Perfeito
A sincronia entre liberar os supersalários e pedir aumento de penduricalhos não é coincidência. É estratégia.
Com a decisão do TCU, os salários acima do teto foram legitimados. Agora, aumentar os penduricalhos em cima desses valores já inflados multiplica o benefício. Uma engrenagem bem azeitada.
Quanto Isso Custa
O TCU não divulgou o impacto fiscal da medida. Também não especificou quantos servidores serão beneficiados nem quanto cada um vai ganhar a mais por mês.
Transparência seletiva. Liberam os aumentos, mas escondem os números. Porque revelar quanto vai custar aos cofres públicos poderia gerar aquela inconveniente indignação popular.
O Contraste
Enquanto os ricos do Congresso e do TCU negociam aumentos de 40%, o salário mínimo nacional está em R$ 1.518. Um ministro do TCU ganha R$ 44 mil. Com penduricalhos, esse valor pode ultrapassar R$ 60 mil mensais.
A conta é simples: um ministro do TCU com penduricalhos ganha em um mês o que um trabalhador de salário mínimo levaria mais de três anos para juntar.
E agora querem 40% a mais.
A Defesa Institucional
O argumento oficial é sempre o mesmo: valorização dos servidores, reconhecimento de responsabilidades, adequação de carreiras. Tecnicalidades que soam bem em notas oficiais.
Mas no fundo, o recado é claro: as regras que valem para todos não valem para nós.
O teto constitucional foi criado justamente para evitar abusos. Para impedir que o dinheiro público virasse fonte inesgotável de privilégios. Mas em Brasília, até os fiscalizadores querem ficar acima da lei que deveriam fazer cumprir.
É o Brasil dos ricos do Congresso. Onde quem vigia o dinheiro público também quer a parte maior do bolo.