Salário no Congresso 2026: Cleitinho em luto enquanto elite fatura
Enquanto Matheus Azevedo perdia a batalha contra a leucemia, seu irmão Cleitinho embolsava R$ 33.763 mensais como senador da República. O contraste é brutal: de um lado, a dor de uma família que assiste à morte prematura; do outro, o cofre cheio de Brasília que não para nunca.
Lula lamentou publicamente a morte de Matheus, irmão do senador amazonense. Nas redes sociais, o presidente prestou condolências à família Azevedo. Bonito no discurso. Mas quanto custa essa solidariedade institucional para o contribuinte?
O que ganha um senador em 2025
Cleitinho Azevedo — nome de urna do senador Cleitom Azevedo — recebe mensalmente:
- Subsídio básico: R$ 33.763
- Verba de gabinete: até R$ 89 mil
- Auxílio-moradia: R$ 4.912 (se aplicável)
- Passagens aéreas ilimitadas
No total, um senador movimenta facilmente R$ 130 mil por mês em recursos públicos. Por ano, mais de R$ 1,5 milhão.
Salário Congresso 2026: o que esperar
Para 2026, ano eleitoral, a elite parlamentar já articula reajustes. A conta é simples: inflação acumulada vira desculpa para turbinar ainda mais os contracheques.
O salário base de deputados e senadores não sofre reajuste desde 2018, congelado em R$ 33.763. Mas as verbas indenizatórias — aquelas que não entram na conta do IR — só crescem.
Em 2024, o Congresso Nacional custou R$ 13,2 bilhões aos brasileiros. Para 2026, a projeção é de R$ 15 bilhões. Aumento de 13,6% enquanto o salário mínimo sobe menos que a inflação.
Quem é Cleitinho Azevedo
Eleito em 2022 pelo PSC do Amazonas, Cleitinho se elegeu com 178 mil votos. Bolsonarista declarado, surfou na onda conservadora que dominou o estado.
Seu mandato vai até 2031. São nove anos de subsídio garantido, crise ou não, tragédia familiar ou não. O sistema não para.
Matheus Azevedo enfrentava um "momento de saúde delicado", segundo comunicado dos irmãos. Leucemia não escolhe classe social, mas o acesso a tratamento de ponta sim.
O contraste que ninguém quer ver
Famílias comuns que enfrentam leucemia dependem do SUS, onde a fila para transplante de medula pode levar anos. A taxa de sobrevivência despenca quando o paciente não tem acesso a hospitais privados.
Enquanto isso, parlamentares contam com plano de saúde vitalício custeado pelo contribuinte. Mesmo após deixarem o cargo, ex-senadores mantêm cobertura médica premium.
Lula lamentou a morte. Cleitinho sofre a perda do irmão. São dores humanas legítimas. Mas o sistema que os sustenta segue intocável, blindado, faturando em cima de quem paga a conta.
"É com pesar que recebi a notícia do falecimento de Matheus Azevedo. Meus sentimentos ao senador Cleitinho e familiares", escreveu Lula nas redes sociais.
Sentimentos custam barato. Manter a máquina de Brasília custa bilhões. E em 2026, pode custar ainda mais.