Salário de R$ 44 mil: Simões apoia Cleitinho em crise partidária

Salário de R$ 44 mil: Simões apoia Cleitinho em crise partidária
Foto: Metrópoles

Enquanto deputados federais embolsam R$ 44 mil mensais, a elite política mineira trava uma guerra silenciosa que pode redefinir quem continua no clube dos salários gordos após 2026.

Mateus Simões, pré-candidato ao governo de Minas Gerais, prestou "solidariedade" ao deputado federal Cleitinho Azevedo nesta semana. O gesto político veio em momento estratégico: o Republicanos de Minas enfrenta debandada interna, com parlamentares abandonando o barco.

A declaração foi feita durante evento de oficialização da candidatura de Simões ao Palácio Tiradentes. Ali, cercado por aliados, ele escolheu abraçar publicamente quem está no olho do furacão.

A Crise que Vale Milhões

Cleitinho é vice-presidente estadual do Republicanos em Minas. O partido, que já foi máquina eleitoral, agora sangra quadros.

Nos bastidores, fontes revelam disputa pelo controle da estrutura partidária. Quem comanda o partido controla recursos do fundo eleitoral e define quem terá chance real de manter a cadeira — e o salário — em 2026.

O fundo partidário do Republicanos ultrapassa R$ 700 milhões nacionalmente. Uma fatia desse bolo financia campanhas em Minas.

Solidariedade ou Tática?

Simões não é ingênuo. Deputado federal e ex-secretário de Infraestrutura de Minas, ele conhece o valor de alianças.

Apoiar Cleitinho publicamente significa:

  • Sinalizar força para segurar parlamentares hesitantes
  • Garantir estrutura do Republicanos para 2026
  • Blindar aliado que pode ser peça-chave na eleição estadual

A palavra "solidariedade" soa bonita. Mas, em Brasília e Belo Horizonte, nada é de graça.

O Futuro Político em Jogo

A crise no Republicanos mineiro expõe questão brutal: partidos são trampolins para cargos que pagam polpudos contracheques.

Um deputado federal recebe subsídio de R$ 44.008,52. Fora auxílios: moradia (R$ 4.253,90), alimentação (R$ 4.253,90) e verbas de gabinete que chegam a R$ 130 mil mensais.

Perder espaço no partido pode significar ficar fora da disputa. Ficar fora da disputa significa voltar ao mercado de trabalho comum — onde salários de cinco dígitos são miragem.

"Política é jogo de interesses. Quem finge que é só ideologia está mentindo ou é amador."

A frase, repetida por veteranos de Brasília, nunca foi tão atual.

Minas no Radar Nacional

Minas Gerais elege a segunda maior bancada federal: 53 deputados. Cada cadeira vale ouro para legendas que querem relevância no Congresso.

O Republicanos, comandado nacionalmente pelo deputado Marcos Pereira, precisa manter força em estados estratégicos. Perder Minas enfraquece o partido no xadrez de Brasília.

Por isso a crise local ganhou atenção nacional. Por isso Simões não deixou Cleitinho sozinho no palco.

Quanto Custa uma Cadeira?

Campanha competitiva para deputado federal em Minas custa entre R$ 2 milhões e R$ 5 milhões. Para governador, multiplique por dez.

Simões sabe que precisará de estrutura partidária azeitada. Não pode se dar ao luxo de ver aliados debandarem agora.

A "solidariedade" declarada esta semana, portanto, tem preço calculado. E prazo de validade: 2026.

No jogo do poder, sentimentos custam caro. E ninguém paga a conta de graça.

Carolina Pereira Ferraz

Carolina Pereira Ferraz

Cronista de poder e dinheiro. Ex-Forbes Brasil, ex-Piauí. Especializada em rankings de riqueza, dinastias políticas e herdeiros do poder.