Samsung corta 800 empregos nos EUA enquanto vale US$ 300 bi

Samsung corta 800 empregos nos EUA enquanto vale US$ 300 bi
Foto: tecmundo.com.br

A Samsung Electronics, colosso avaliado em US$ 300 bilhões, acaba de jogar 800 funcionários americanos na rua. Enquanto isso, a família Lee — que controla o conglomerado — segue entre as mais ricas da Ásia, com fortuna estimada em US$ 27 bilhões.

O corte atinge principalmente operações nos Estados Unidos, parte de uma "reestruturação" que a empresa sul-coreana chama de "ajuste necessário". Necessário para quem?

O império Lee e seus números gordos

A Samsung não é uma empresa qualquer. É o braço tecnológico de um império familiar que domina a Coreia do Sul há décadas. Lee Jae-yong, atual presidente executivo, herdou o trono depois que seu pai cumpriu pena por corrupção.

Os números impressionam:

  • Receita anual: US$ 240 bilhões
  • Lucro operacional em 2024: US$ 23 bilhões
  • Funcionários globalmente: 267 mil
  • Valor de mercado: US$ 300 bilhões

E agora, 800 famílias americanas procurando emprego.

Por trás da demissão em massa

A Samsung alega que o movimento faz parte de uma "otimização" diante da queda nas vendas de smartphones e TVs premium. A divisão de semicondutores — que deveria ser a galinha dos ovos de ouro — perdeu terreno para TSMC e Intel.

Tradução: os acionistas querem margens maiores. Os trabalhadores pagam a conta.

O timing levanta sobrancelhas. A demissão acontece semanas depois de a empresa anunciar investimento de US$ 17 bilhões em nova fábrica de chips no Texas. Dinheiro para expandir tem. Para manter empregos, não.

O padrão das gigantes tech

A Samsung segue cartilha conhecida. Google, Meta, Amazon, Microsoft — todas cortaram milhares de vagas nos últimos dois anos enquanto reportavam lucros bilionários.

O argumento é sempre o mesmo: eficiência, transformação digital, inteligência artificial. O resultado também: concentração de riqueza no topo, insegurança na base.

"Estamos comprometidos com nossos funcionários e comunidades", disse porta-voz da Samsung em comunicado oficial. Os 800 demitidos provavelmente discordam.

Poder, dinheiro e o custo invisível

Este é o jogo do poder corporativo global. Empresas transnacionais movem bilhões entre países, negociam incentivos fiscais com governos, prometem empregos — e depois cortam quando convém.

A Samsung recebeu US$ 6,4 bilhões em subsídios do governo americano para construir fábricas em solo americano. Criou empregos. Agora elimina outros 800.

Enquanto isso, em Brasília e outras capitais, políticos seguem abrindo tapete vermelho para multinacionais, oferecendo isenções e benefícios em nome do "desenvolvimento econômico".

A pergunta que fica: desenvolvimento para quem?

As 800 famílias demitidas pela Samsung já sabem a resposta.

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.