Sargento de Zema vira assassino: o preço da segurança VIP

Sargento de Zema vira assassino: o preço da segurança VIP
Foto: Metrópoles

Enquanto você paga imposto para financiar a segurança privada de governadores, um dos homens pagos para proteger Romeu Zema está atrás das grades. Acusado de feminicídio.

O sargento Cleiton Araújo da Silva, que integrou a equipe de segurança da residência oficial do governador de Minas Gerais, foi preso como principal suspeito da morte da capitã Priscila Vaz. A vítima tinha 34 anos e fazia parte da mesma corporação que o acusado: a Polícia Militar mineira.

O Homem que Guardava o Palácio

De acordo com Carlos Alberto Mariano, presidente da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais, Silva não era um PM qualquer. Ele prestava serviços diretos na residência de Zema.

A informação levanta uma questão incômoda: que tipo de triagem fazem com quem protege a elite política brasileira?

Não há registro público de quanto o estado de Minas Gerais gasta mensalmente com a segurança pessoal do governador. Os valores costumam ser classificados como "estratégicos". Tradução: você paga, mas não pode saber quanto.

Feminicídio na Farda

Priscila Vaz foi encontrada morta em circunstâncias que a investigação trata como feminicídio. Os detalhes são mantidos sob sigilo pela Polícia Civil, mas as evidências apontaram rapidamente para o sargento.

A capitã tinha carreira consolidada na corporação. Silva, além de militar, tinha acesso a informações sensíveis sobre a rotina do governador.

Agora está preso. Zema segue protegido por outros membros da mesma PM que não conseguiu proteger a própria oficial.

O Esquema que Ninguém Fiscaliza

A segurança de autoridades no Brasil movimenta milhões em contratos terceirizados, diárias extras e estruturas paralelas. Tudo pago com dinheiro público.

Em 2022, levantamento da Transparência Brasil mostrou que só o governo federal gastou R$ 847 milhões com segurança de autoridades. Estados como Minas não divulgam números consolidados.

Enquanto isso, a taxa de elucidação de homicídios no Brasil não chega a 30%. Quem paga a conta é quem não tem segurança privada.

Conexões Perigosas

A ligação entre Zema e o sargento acusado expõe uma rede de privilégios que opera longe dos holofotes. Governadores cercam-se de escoltas enquanto delegacias fecham por falta de efetivo.

O caso também ressuscita perguntas sobre offshore políticos brasil e como funcionários públicos de alto escalão blindam patrimônio e poder através de estruturas opacas.

Não há indícios de que Zema tenha qualquer envolvimento no crime. Mas há um fato: ele foi protegido por um homem que a Justiça agora acusa de tirar uma vida.

"A segurança do governador é composta por profissionais qualificados e passa por avaliações regulares", diz nota padrão do Palácio Tiradentes sempre que questionado.

Priscila Vaz não teve o mesmo privilégio. Ela foi morta, segundo a acusação, por alguém que jurou proteger.

O sargento aguarda julgamento. Zema segue em seu palácio, guardado por outros homens que você paga sem conhecer.

Fernando Andrade Villela

Fernando Andrade Villela

Investigador financeiro. Cobre offshores, patrimônio declarado vs. real, e o cruzamento entre política e mercado.