Sorteio da Copa do Brasil Feminina movimenta milhões da CBF

Sorteio da Copa do Brasil Feminina movimenta milhões da CBF
Foto: Metrópoles

Enquanto o brasileiro médio ganha R$ 2.800 por mês, a CBF se prepara para sortear nesta sexta-feira as quartas de final da Copa do Brasil Feminina — competição que movimenta milhões em patrocínios e direitos de transmissão para os cofres da entidade mais rica do futebol nacional.

O sorteio acontece na sede da Confederação Brasileira de Futebol, no Rio de Janeiro. Sistema de pote único define os confrontos. Oito times na briga. Quatro vagas nas semifinais.

Gurias Coloradas abrem o baile

O Internacional foi o primeiro a carimbar passaporte. As Gurias Coloradas venceram o Coritiba e garantiram presença entre as oito melhores. Agora aguardam para saber quem enfrentam na sequência.

A competição premia as vencedoras com cifras que parecem generosas — até você comparar com o futebol masculino. Enquanto a Copa do Brasil masculina distribui R$ 670 milhões, a versão feminina trabalha com valores dezenas de vezes menores.

Os números que a CBF não gosta de divulgar

A entidade presidida por Ednaldo Rodrigues faturou R$ 1,37 bilhão em 2022, segundo último balanço disponível. Desse montante, quanto vai efetivamente para o desenvolvimento do futebol feminino? A CBF prefere não detalhar.

Patrocinadores estão de olho. Marcas perceberam que o futebol feminino atrai público qualificado, engajado e menos associado à violência que mancha o masculino. Resultado: investimento crescente, mas ainda tímido perto do potencial.

Quem fica com o dinheiro?

A CBF mantém estrutura administrativa robusta. Salários de dirigentes na casa dos seis dígitos mensais. Viagens internacionais em classe executiva. Hotéis cinco estrelas para representantes em congressos da FIFA.

Enquanto isso, jogadoras de times menores complementam renda com trabalhos paralelos. Fisioterapeutas. Professoras. Vendedoras. O contraste é brutal.

O sorteio desta sexta define não apenas confrontos esportivos. Define quanto cada clube embolsa em cotas de participação. Define quanto de exposição na TV. Define quais jogadoras serão vistas por olheiros internacionais que podem mudar vidas com propostas europeias.

O que está em jogo de verdade

Mais que taça, as equipes disputam sobrevivência financeira. Premiação da Copa do Brasil Feminina ajuda a fechar orçamentos anuais. Para muitos clubes, é diferença entre manter elenco competitivo ou desmantelar o time.

A CBF lucra com todas as pontas. Vende direitos de transmissão. Negocia patrocínios para a competição. Embolsa percentual de acordos comerciais. O modelo é eficiente — para quem está no topo da pirâmide.

Enquanto o sorteio rola, fica a pergunta incômoda: quando o futebol feminino será tratado com o mesmo respeito financeiro que o masculino? A resposta não sai nesta sexta. Talvez nem nesta década.

Carolina Pereira Ferraz

Carolina Pereira Ferraz

Cronista de poder e dinheiro. Ex-Forbes Brasil, ex-Piauí. Especializada em rankings de riqueza, dinastias políticas e herdeiros do poder.