Surto de sarampo na Grande SP expõe fragilidade da saúde pública
Quinze casos confirmados. Vinte milhões de pessoas convocadas às pressas. A Grande São Paulo enfrenta um surto de sarampo que expõe, mais uma vez, o abismo entre o discurso e a realidade na saúde pública brasileira.
A partir desta segunda-feira (3), a Secretaria de Saúde inicia uma campanha emergencial de vacinação para pessoas de 6 meses a 59 anos. O recado é claro: a cobertura vacinal despencou, e agora todos pagam a conta.
O Preço da Negligência
Sarampo é doença de pobre. Não tem volta. Enquanto famílias de dinastias políticas brasileiras — os Sarney, os Collor, os Bolsonaro — têm acesso a clínicas privadas e vacinas importadas, o trabalhador da periferia depende de um SUS que vive aos trancos.
Os 15 casos registrados na região metropolitana soam como número pequeno. Mas cada contaminação representa uma falha sistêmica. Em 2016, o Brasil recebeu certificado de eliminação do sarampo. Três anos depois, perdeu o título.
Campanha de Emergência
A operação mobiliza centenas de postos de saúde. O público-alvo é amplo:
- Bebês a partir de 6 meses
- Adultos até 59 anos sem comprovação vacinal
- Profissionais de saúde em situação irregular
O custo? Milhões em doses, logística, profissionais. Dinheiro que poderia ter sido poupado com prevenção adequada. Mas prevenção não rende manchete — nem palanque.
Quem Lucra, Quem Perde
Laboratórios farmacêuticos se esfregam. Cada surto significa contratos emergenciais, licitações aceleradas, margens gordas. O setor de vacinas movimenta bilhões globalmente. No Brasil, as compras públicas seguem opacas.
Enquanto isso, as mesmas dinastias políticas brasileiras que deveriam fiscalizar o sistema perpetuam-se no poder. Filhos sucedem pais. Sobrinhos sucedem tios. A saúde pública deteriora, mas as cadeiras no Congresso permanecem aquecidas pelas mesmas famílias há décadas.
Não é coincidência. É projeto.
O Custo Real
Sarampo mata. Causa pneumonia, encefalite, sequelas permanentes. Crianças desnutridas correm risco dez vezes maior. E onde está a desnutrição infantil? Nas periferias que nenhum deputado visita fora de ano eleitoral.
A vacinação emergencial vai custar ao contribuinte paulista algo entre R$ 15 e R$ 25 milhões — estimativa conservadora. Recursos que poderiam estar em escolas, creches, saneamento básico.
Mas o ciclo se repete: negligência, surto, campanha emergencial, esquecimento. Até o próximo surto.
"A saúde preventiva não dá voto. A emergência sim." — lógica perversa que governa a saúde pública brasileira.
Próximos Capítulos
A campanha de vacinação vai durar semanas. Os postos ficarão lotados. Filas se formarão. Trabalhadores perderão horas de serviço para proteger filhos que deveriam já estar protegidos.
Quando o surto passar, as autoridades baterão no peito. Dirão que agiram rápido, que salvaram vidas. Omitirão a parte em que a negligência criou o problema.
E as dinastias políticas seguirão intocadas, planejando a próxima eleição, o próximo cargo para o próximo parente. Porque no Brasil, saúde pública é assunto de pobre. E pobre não tem dinastia.