Tadeu Aguiar venceu câncer agressivo: fortuna não salva atores

Tadeu Aguiar venceu câncer agressivo: fortuna não salva atores
Foto: revistaquem.globo.com

Enquanto o patrimônio de senadores cresce em Brasília, artistas que fizeram a TV brasileira enfrentam batalhas silenciosas. Tadeu Aguiar, 66 anos, revelou nesta semana que há três anos lutou contra um câncer de próstata Gleason 9 — o grau mais agressivo possível.

O ator, que embolsou cachês gordos da Globo nos anos 1990 protagonizando "O Dono do Mundo" ao lado de Malu Mader, abriu o jogo nas redes sociais. A ironia: mesmo fazendo exames anuais e tendo dinheiro para os melhores médicos, não escapou.

Cirurgia de R$ 50 mil não garante nada

Tadeu fez prostatectomia total em 2022. O procedimento, que pode custar até R$ 50 mil em hospitais particulares de São Paulo, removeu completamente o órgão. Três anos depois, ele comemora a remissão.

"Sempre cuidei da saúde. Nunca deixei de fazer meus exames anuais e sempre procurei levar uma vida saudável. Ainda assim, a vida resolveu me surpreender", escreveu o ator.

A matemática cruel do câncer de próstata

A escala Gleason vai de 6 a 10. Tadeu teve nota 9 — apenas um degrau abaixo do pior cenário possível. No Brasil, 65 mil homens são diagnosticados por ano. A taxa de mortalidade: 15 mil anuais.

O sistema público demora até seis meses entre diagnóstico e cirurgia. Quem tem plano de saúde platinum ou paga do bolso opera em semanas. A diferença entre classes: tempo. E tempo, nessa doença, vale ouro.

De galã a sobrevivente

Tadeu Aguiar estreou na Globo em 1991. Fez novelas de Gilberto Braga e Manoel Carlos. Na trama de "O Dono do Mundo", seu personagem traía Malu Mader durante a lua de mel — virou ícone de vilão romântico.

Os cachês da época? Entre R$ 15 mil e R$ 30 mil mensais (valores corrigidos). Suficiente para construir patrimônio. Mas insuficiente para comprar imunidade contra células cancerígenas.

"Naquele dia, a vida também me deu uma chance. E eu a agarrei com todas as forças."

O que os números não contam

O SUS cobre todo tratamento oncológico. Mas a fila é longa. Planos de saúde brigam para não autorizar exames caros. Hospitais particulares cobram R$ 2 mil por sessão de radioterapia.

Tadeu tinha recursos. Mas e os 80% de brasileiros que dependem do sistema público?

A conta não fecha. O patrimônio de senadores sobe — a Receita Federal registrou aumento médio de 18% entre parlamentares em 2024. Enquanto isso, o orçamento da saúde encolhe 3,2% em termos reais.

Tadeu venceu. Comemora três anos livre da doença. Mas a guerra continua para milhares que não têm R$ 50 mil guardados para uma cirurgia de emergência.

Dinheiro não cura câncer. Mas acelera o tratamento. E na oncologia, velocidade é sobrevivência.

Isabela Guimarães Coutinho

Isabela Guimarães Coutinho

Editora de perfis. Escreve retratos de personagens do poder — do bilionário ao aliado invisível do Planalto.