Tarifaço de Trump: Lula apela à soberania enquanto Brasília corre

Tarifaço de Trump: Lula apela à soberania enquanto Brasília corre
Foto: Metrópoles

Enquanto 25% de tarifa americana se preparam para devorar bilhões em exportações brasileiras a partir desta quarta-feira (22/7), Lula da Silva sobe no palanque da soberania nacional. "Brasil não se entrega", discursou o presidente. Mas nos corredores de poder e dinheiro Brasília, o pânico é outro: quanto isso vai custar — e quem vai pagar.

O tarifaço de Donald Trump não é retórica. É nota fiscal. E gorda.

O número que ninguém quer ver

Vinte e cinco por cento. Esse é o pedágio que produtos brasileiros pagarão para entrar nos Estados Unidos. Aço, alumínio, carne, suco de laranja — tudo na mira. Bilhões em jogo. Empregos na corda bamba. Mas enquanto o operário de fábrica se pergunta se terá salário no fim do mês, Brasília faz o que sabe: reuniões.

O governo convocou "setores" para "discutir soluções". Tradução: lobby pesado, portas fechadas, quem tem músculo político sai menos machucado.

Soberania ou desespero?

Lula vendeu nacionalismo na véspera do tarifaço. Discurso bonito. Plateia aplaudindo. Mas o mercado não aplaude — ele cobra. E a conta chega rápido.

"Brasil não se entrega" soa bem em comício. Na mesa de negociação com Washington, é outra história. Trump não se move por poesia. Move-se por interesse. E o interesse dele é AméricaFirst — com as iniciais maiúsculas e o resto do mundo pagando a diferença.

"O discurso da soberania é para consumo interno. O jogo real é quanto o Brasil está disposto a ceder para evitar sangria maior nas exportações."

Quem realmente perde

Não é segredo: tarifas não atingem governo. Atingem gente. O dono da siderúrgica negocia, tem advogado em Washington, acesso ao Planalto. O cortador de cana? Esse vai para casa sem saber se volta amanhã.

Enquanto o poder e dinheiro Brasília articulam saídas — isenções, compensações, acordos bilaterais —, o brasileiro comum espera. E torce para não virar estatística de desemprego.

O jogo de xadrez (e o tabuleiro torto)

O Brasil está numa sinuca. Retaliar os Estados Unidos? Possível, mas caro. Aceitar calado? Humilhante e mais caro ainda a longo prazo. Negociar? Depende de quanto estamos dispostos a entregar em troca de migalhas.

Trump sabe que o Brasil precisa dos EUA mais do que os EUA precisam do Brasil. É matemática cruel, não diplomacia.

Enquanto isso, Lula vende soberania. Ministros vendem articulação. E o mercado vende... o que conseguir, antes que fique mais caro.

A conta que vai chegar

Tarifaço não é só número. É inflação disfarçada. É desemprego adiado. É PIB minguando discretamente enquanto político fala grosso em microfone.

Brasília vai sobreviver. Sempre sobrevive. A pergunta é: e o resto do país?

A partir desta quarta, saberemos quanto custa o orgulho nacional quando o outro lado não está nem aí para ele.

Fernando Andrade Villela

Fernando Andrade Villela

Investigador financeiro. Cobre offshores, patrimônio declarado vs. real, e o cruzamento entre política e mercado.