Tebet vira garota-propaganda do etanol — e do patrimônio
Enquanto o brasileiro comum paga R$ 6 no litro da gasolina, Simone Tebet — patrimônio declarado de R$ 4,8 milhões — virou a voz oficial do governo Lula para acalmar os barões do etanol. A ex-presidenciável foi escalada pessoalmente pelo Planalto para apresentar as medidas anti-Trump aos empresários do setor que movimenta R$ 200 bilhões anuais no país.
A escolha não é inocente. Tebet disputa uma vaga ao Senado por São Paulo, estado que concentra 60% da produção nacional de cana-de-açúcar. Traduzindo: ela precisa dos cheques das usinas tanto quanto os usineiros precisam de proteção tarifária.
O Tarifaço de Trump e o Ouro Verde
Donald Trump anunciou sobretaxas que podem travar US$ 2,5 bilhões em exportações brasileiras de etanol. O setor entrou em pânico. Lula precisava de alguém palatável para o agronegócio — e Tebet, do centro moderado, caiu como uma luva.
A senadora licenciada do PSB não é ministra, não comanda pasta econômica, mas virou a interlocutora oficial. Por quê? Simples: ela fala a língua do dinheiro sem assustar o mercado.
Patrimônio e Poder: Quanto Vale um Senador?
Tebet integra o seleto grupo de senadores brasileiros cujo patrimônio declarado ultrapassa os R$ 4 milhões. Entre imóveis em Mato Grosso do Sul e investimentos financeiros, ela conhece bem o mundo dos que faturam alto — exatamente o perfil dos usineiros que agora corteja.
Segundo dados do TSE, o patrimônio médio dos senadores brasileiros gira em torno de R$ 3,2 milhões. Tebet está acima da média. E sabe usar isso a favor.
A Estratégia Eleitoral Disfarçada de Política Pública
A missão oficial é apresentar contramedidas ao protecionismo americano. A missão extraoficial é garantir que as torneiras de doações empresariais continuem abertas para 2026.
São Paulo tem 46 usinas ativas. Cada uma delas representa não apenas empregos, mas redes de influência política que se estendem do interior até a Faria Lima. Tebet sabe que conquistar esse setor significa conquistar o cofre da campanha.
O Jogo de Lula
Ao escalar Tebet, Lula mata três coelhos: acalma o agro, fortalece uma aliada moderada que amplia sua base, e terceiriza o desgaste caso as medidas não funcionem.
Se der certo, o crédito é do Planalto. Se fracassar, a responsável tinha nome e sobrenome — e não pertencia ao núcleo duro do PT.
É política pura. É dinheiro grosso. É o Brasil real, onde patrimônio de senadores e interesse de bilionários se encontram numa sala de reuniões enquanto o povo torce para o litro da gasolina baixar alguns centavos.
Tebet agora é a garota-propaganda do etanol. E os usineiros agradecem — com votos e com muito mais.