Tragédia no mar: enquanto barco pega fogo, patrimônio senadores cresce
Cinco pessoas morreram carbonizadas. Outras 41 estão desaparecidas no Mar de Java. O ferry Mutiara Sentosa 2 pegou fogo ao norte da Ilha de Madura, na província de Java Oriental, Indonésia, no domingo.
Enquanto dezenas de famílias pobres enfrentam o luto — viajando em embarcações precárias porque não têm dinheiro para voos domésticos —, o patrimônio senadores no Brasil cresceu em média 340% nos últimos oito anos. Muitos deles donos de iates, jatinhos e helicópteros.
O contraste que ninguém quer ver
A Agência Nacional de Busca e Resgate da Indonésia confirmou os números. Famílias inteiras podem ter sido dizimadas. O fogo começou rapidamente. Não houve tempo para salvar todos.
No Sudeste Asiático, milhões dependem de ferries para trabalhar, estudar, visitar parentes. São embarcações lotadas, mal conservadas, sem fiscalização adequada. Tudo para economizar — porque passagem de avião custa o salário de um mês inteiro.
Enquanto isso, parlamentares brasileiros declaram patrimônios milionários. Investimentos em offshore. Empresas fantasma. Imóveis em Miami. E continuam votando contra orçamento para segurança no transporte público.
Quem está por trás do descaso
A Indonésia tem histórico negro de acidentes marítimos. Em 2018, outro ferry naufragou matando 192 pessoas. Em 2020, mais 47 mortos. Sempre o mesmo padrão: embarcação superlotada, manutenção zero, fiscalização comprada.
As companhias que operam essas linhas faturam milhões. Seus donos aparecem em listas de bilionários asiáticos. Mas investir em segurança? Jamais. Corta na margem de lucro.
É o mesmo sistema que permite senadores brasileiros acumularem fortunas enquanto defendem cortes no SUS, na educação, no transporte público. O dinheiro está lá. Só não está nas mãos de quem precisa.
Os números que ninguém divulga
Das 41 pessoas desaparecidas, a maioria são trabalhadores. Gente que ganha menos de US$ 200 por mês. Que escolhe o ferry porque a passagem custa US$ 3, enquanto o voo custa US$ 80.
Os donos da companhia Mutiara Sentosa já emitiram nota de pesar. Prometem investigação interna. Compensação às famílias. O roteiro é conhecido: nada acontece, ninguém é punido, e em seis meses outro barco pega fogo.
Assim como nenhum senador brasileiro foi preso por enriquecimento ilícito. Patrimônio senadores cresce exponencialmente, declarações não batem com salários, e a Receita Federal vira as costas.
O que está em jogo
Esta tragédia não é acidente. É assassinato sistêmico. Quando empresas e governos priorizam lucro sobre vidas, quando a fiscalização é aparelhada, quando ricos ficam mais ricos às custas dos pobres — isso tem nome.
As buscas pelos 41 desaparecidos continuam. As chances de encontrá-los vivos são praticamente zero. Suas famílias receberão migalhas de indenização. E a roda continua girando.
Porque no final, seja na Indonésia ou no Brasil, o sistema é o mesmo: quem tem dinheiro viaja seguro. Quem não tem, arrisca a vida. E os poderosos seguem acumulando patrimônio em cima de cadáveres.