Trump quer Copa só nos EUA: projeto bilionário irrita FIFA

Trump quer Copa só nos EUA: projeto bilionário irrita FIFA
Foto: poder360.com.br

Donald Trump acabou de jogar uma bomba no colo da FIFA. O presidente dos Estados Unidos quer uma Copa do Mundo inteira para seu país — sem dividir com Canadá e México, como está previsto para 2026.

A declaração não é apenas futebolística. É financeira.

Uma Copa exclusiva nos EUA movimentaria cerca de US$ 11 bilhões em receitas diretas, segundo estimativas da própria FIFA. Esse valor ficaria todo em solo americano, sem repartição com os vizinhos. Mais ingressos vendidos, mais cidades-sede, mais patrocínio, mais TV.

O jogo de poder por trás da bola

Trump não está falando sozinho. Existe um lobby poderoso de empresários do esporte americano pressionando por exclusividade. Donos de estádios da NFL, redes de TV e até fundos de investimento ligados ao futebol veem na Copa uma oportunidade de ouro.

O problema: a FIFA já vendeu o pacote tripartite. Canadá e México têm contratos assinados, cidades definidas, investimentos em andamento. Vancouver, Guadalajara e Cidade do México já gastaram milhões preparando infraestrutura.

Romper esse acordo seria um terremoto jurídico.

Quanto vale uma Copa inteira

Os números explicam o desejo de Trump:

  • US$ 11 bilhões em receita total estimada para 2026
  • US$ 5 bilhões só em direitos de transmissão
  • US$ 2,4 bilhões em venda de ingressos
  • US$ 1,8 bilhão em patrocínios locais

Se a Copa fosse 100% americana, esse dinheiro não seria diluído. Ficaria concentrado em solo dos EUA, gerando mais impostos, mais empregos temporários e — principalmente — mais lucro para quem controla estádios e direitos comerciais.

A reação da FIFA

Gianni Infantino, presidente da FIFA, não comentou diretamente. Mas bastidores indicam irritação em Zurique, sede da entidade.

A FIFA vende a Copa 2026 como "a mais inclusiva da história", com 48 seleções e três países-sede pela primeira vez na América do Norte. Voltar atrás seria admitir fragilidade política.

Além disso, Canadá e México são mercados estratégicos. O México, especialmente, tem torcida fanática e movimenta milhões em audiência televisiva. Cortar os mexicanos seria perder uma das maiores bases de fãs do continente.

O timing político

A fala de Trump não é casual. Ela vem em meio a tensões comerciais renovadas com México e Canadá, especialmente sobre tarifas e imigração.

Propor uma Copa exclusiva é também um recado: "podemos fazer sozinhos, não precisamos de vocês".

É nacionalismo econômico disfarçado de estratégia esportiva.

Quem ganha, quem perde

Se Trump conseguisse impor sua vontade — cenário improvável, mas não impossível —, os ganhadores seriam claros:

  • Donos de estádios americanos (mais jogos, mais receita)
  • Redes de TV dos EUA (exclusividade de audiência)
  • Hotelaria e turismo em cidades-sede americanas

Os perdedores também:

  • Canadá e México (bilhões em investimento perdido)
  • FIFA (credibilidade abalada)
  • Torcedores mexicanos e canadenses (excluídos do próprio continente)

Dinheiro contra tradição

No fundo, Trump está testando quanto a FIFA valoriza dinheiro versus compromissos políticos.

A entidade suíça já mostrou, repetidas vezes, que dinheiro fala mais alto. Catar 2022 provou isso. Mas romper um acordo continental tri-nacional seria inédito.

Por enquanto, é só conversa. Mas quando Donald Trump fala em bilhões, pessoas poderosas escutam.

E a FIFA, apesar de toda sua pompa, é feita de pessoas que escutam muito bem quando o assunto é dinheiro.

Fernando Andrade Villela

Fernando Andrade Villela

Investigador financeiro. Cobre offshores, patrimônio declarado vs. real, e o cruzamento entre política e mercado.