Ubisoft relança jogo de 2013 com problemas e preço salgado

Ubisoft relança jogo de 2013 com problemas e preço salgado
Foto: tecmundo.com.br

Enquanto o salário mínimo brasileiro mal paga as contas e o debate sobre salário congresso 2026 esquenta nos bastidores de Brasília, a Ubisoft — gigante francesa de games que faturou €2 bilhões em 2023 — decidiu relançar um jogo de 11 anos atrás. E cobrar caro por isso.

Assassin's Creed Black Flag Resynced chegou às lojas digitais como se fosse novidade. Spoiler: não é.

O Velho Truque da Embalagem Nova

A estratégia é simples. Pegue um título de 2013 que vendeu milhões. Dê uma repaginada gráfica básica. Chame de "remaster". Cobre preço de lançamento.

O problema? Os mesmos bugs que irritavam jogadores há uma década continuam lá. Câmera travando. Personagens atravessando paredes. Quedas de frame em cenas de ação.

A Ubisoft não refez o jogo. Apenas aplicou maquiagem.

Quanto Custa Ser Pirata (de Novo)?

No Brasil, o Resynced sai por R$ 199,90 na versão básica. Para efeito de comparação: é quase 15% do salário mínimo nacional atual de R$ 1.412.

Nos Estados Unidos, o preço equivale a US$ 39,99 — percentual bem menor do salário médio americano.

A conta não fecha para o brasileiro. Nunca fecha.

O Que Mudou de Verdade

A lista oficial de melhorias inclui:

  • Gráficos em 4K e 60 FPS
  • Iluminação repaginada
  • Texturas de maior resolução
  • Tempo de carregamento reduzido

Traduzindo: o básico que qualquer remaster decente deveria entregar. Nada revolucionário. Nada que justifique o preço premium.

"Parece que jogaram o arquivo original num filtro do Photoshop e chamaram de trabalho feito", reclamou um usuário no Reddit.

A Máquina de Dinheiro da Ubisoft

A fabricante francesa tem 40 estúdios espalhados pelo mundo. Emprega mais de 19 mil pessoas. Controla franquias bilionárias como Far Cry, Rainbow Six e, claro, Assassin's Creed.

A série de assassinos encapuzados já vendeu mais de 200 milhões de cópias globalmente. É uma das maiores vacas leiteiras da indústria dos games.

Black Flag, especificamente, foi um dos maiores sucessos. Crítica adorou. Público comprou aos montes. Virou cult.

Agora a Ubisoft quer que você compre de novo. Mesmo jogo. Mesmas missões. Mesma história. Só com brilho extra.

O Padrão da Indústria

A Ubisoft não está sozinha nessa. A indústria dos games descobriu que remasters e remakes dão menos trabalho e risco que jogos novos.

Rockstar relançou GTA V três vezes. Sony trouxe The Last of Us de volta duas vezes em uma década. Nintendo vende jogos de Wii U para Switch como se fossem inéditos.

É o capitalismo criativo em ação. Por que investir em inovação quando o público compra nostalgia requentada?

Veredicto Final

Assassin's Creed Black Flag continua sendo um ótimo jogo. A aventura pirata funciona. A história prende. A jogabilidade diverte.

Mas se você já jogou em 2013, não há razão para soltar R$ 200 numa versão que basicamente parece a mesma coisa com Instagram filter.

E se você nunca jogou, espere promoção. Porque pagar preço cheio num remaster meia-boca é presente para acionista da Ubisoft.

Eles agradecem. Seu bolso não.

Fernando Andrade Villela

Fernando Andrade Villela

Investigador financeiro. Cobre offshores, patrimônio declarado vs. real, e o cruzamento entre política e mercado.