Valmir escolhe vice mulher após machismo:filha de político
R$ 350 milhões. Esse é o orçamento que Valmir de Francisquinho, ex-prefeito de Itabaiana, quer controlar como governador de Sergipe. Na segunda-feira (20/7), em convenção do Republicanos, ele oficializou sua candidatura ao Palácio de Despachos com uma vice-mulher — depois de uma fala machista que incendiou as redes sociais.
A escolhida? Eliane Aquino, filha do ex-governador João Alves Filho. Sobrenome que vale ouro na política sergipana.
O machismo que virou estratégia
Valmir havia declarado, em evento recente, que "mulher na política precisa saber o lugar dela". A repercussão foi imediata. Críticas vieram de todos os lados — esquerda, direita, centro.
A solução? Colocar uma mulher na chapa. Não qualquer mulher. Uma com DNA político, sobrenome de peso e acesso aos cofres das famílias tradicionais do estado.
Eliane Aquino traz para a disputa mais do que votos. Traz conexões. Seu pai, João Alves Filho, governou Sergipe e construiu uma rede de influência que atravessa décadas. É o tipo de capital político que não aparece em pesquisas — mas aparece em urnas.
Quem está por trás
O Republicanos de Sergipe tem nas mãos uma operação milionária. A sigla controla prefeituras estratégicas e tem acesso a recursos federais via bancada em Brasília.
Valmir não é iniciante. Como ex-prefeito de Itabaiana — segunda maior cidade do estado —, ele administrou orçamentos robustos e cultivou alianças com empresários do agronegócio e do comércio atacadista.
A convenção que oficializou a chapa reuniu mais de 2 mil pessoas. Bandeiras, camisetas, showmício. O pacote completo de uma campanha que já nasce com caixa cheio.
O cálculo por trás da escolha
Eliane não foi escolhida por acaso. Ela resolve três problemas de uma vez:
- Apaga a polêmica machista com uma jogada de marketing político
- Atrai o voto feminino — 52% do eleitorado sergipano
- Consolida aliança com a família Alves, dona de uma máquina eleitoral testada e aprovada
É política de resultados. Sem romantismo.
Quanto vale uma vice
Vice-governadores no Brasil ganham entre R$ 25 mil e R$ 35 mil mensais, dependendo do estado. Mas o cargo vale muito mais do que o salário.
É porta de entrada para secretarias estratégicas, controle de nomeações e acesso privilegiado a licitações estaduais. O verdadeiro valor está no poder de influência — e esse não tem preço de tabela.
Eliane Aquino sabe disso. Cresceu vendo o pai operar os bastidores do poder. Aprendeu cedo que política é sobre alianças, não sobre ideologia.
O recado para o eleitor
A mensagem da chapa Valmir-Eliane é clara: tradição com renovação de fachada. O discurso será de mudança, mas as engrenagens são as mesmas de sempre.
Sergipe tem 1,6 milhão de eleitores. A disputa será acirrada. E nessa guerra, Valmir acaba de garantir uma aliada que conhece o terreno como poucos.
A polêmica machista? Já está virando nota de rodapé. Na política brasileira, escândalos duram menos que campanhas eleitorais.
O jogo está apenas começando. E Valmir acabou de fazer sua aposta mais cara — literalmente.