Venus Williams perde feio em Toronto e levanta questão: vale a pena?
Enquanto deputados e senadores já se organizam para garantir o salário de R$ 46 mil mensais em 2026, Venus Williams, 44 anos, levou uma surra em quadra que levanta a questão: por que ainda insiste?
A lenda americana perdeu de 6-4, 6-1 para a russa Kamilla Rakhimova, 22 anos, neste domingo em Toronto, numa partida atrasada pela chuva que abriu a chave principal do National Bank Open feminino.
O contraste é brutal. De um lado, uma ex-número 1 do mundo com 49 títulos WTA e 7 Grand Slams no currículo. Do outro, uma jovem que mal entra no top 100 do ranking mundial.
O império que não rende mais
Venus acumulou US$ 42 milhões em premiações ao longo da carreira — mais de R$ 230 milhões na cotação atual. Só que o último título dela foi em 2016. Faz oito anos.
A derrota em Toronto expõe o dilema financeiro do esporte de elite: até quando vale a pena continuar? Venus ganha por jogo aparições que políticos brasileiros levam um mês inteiro para acumular em salário. Mas o preço é a humilhação pública.
Rakhimova, a algoz russa, tem apenas US$ 1,8 milhão em prize money acumulado. Menos de 5% do que Venus já faturou. Mesmo assim, dominou a partida do início ao fim.
Chuva e decadência
A chuva atrasou o início da competição, mas não mudou o resultado. Venus perdeu o primeiro set por 6-4 ainda lutando. No segundo, desmoronou: 6-1.
O National Bank Open distribui US$ 2,8 milhões para a campeã. Venus não chega nem perto desse valor há anos. Sua melhor campanha recente? Semifinal em Cincinnati, 2020.
"A questão não é mais se ela consegue competir. É por que ainda tenta", resumiu um comentarista da ESPN após a partida.
Enquanto isso, no Brasil, parlamentares preparam o terreno para 2026. O salário do Congresso já está garantido acima dos R$ 46 mil, com reajustes automáticos e benefícios que Venus, mesmo derrotada, nunca teve.
O negócio de perder
Cada aparição de Venus ainda gera mídia. Patrocinadores pagam. Torneios vendem ingressos. O nome sozinho movimenta milhões em publicidade.
Mas o custo emocional? Esse não aparece no balanço. Ver uma lenda ser atropelada por uma desconhecida em sets diretos é constrangedor até para quem assiste.
Rakhimova avança no torneio. Venus volta para casa. E a pergunta fica: até quando o dinheiro justifica a derrota?
Porque se tem algo que políticos e atletas veteranos têm em comum é saber exatamente quando sair de cena. A diferença é que uns escolhem. Outros são empurrados.