Vini Jr. gasta fortuna em harmonização facial: quem lucra?
Enquanto o salário mínimo brasileiro mal paga o aluguel, Vini Jr. desembolsa o equivalente a meses de trabalho de um operário em uma única sessão de harmonização facial. O procedimento no queixo do craque do Real Madrid movimenta uma indústria bilionária que transforma rostos — e contas bancárias.
A conta é simples: cada aplicação de preenchimento facial pode custar entre R$ 8 mil e R$ 15 mil em clínicas de elite. Multiplique isso pelos dezenas de jogadores que seguem a moda. O resultado? Um mercado que fatura mais que muito clube da Série B.
O Procedimento dos Ricos
Segundo a médica Fernanda Nichelle, especialista em harmonização orofacial, o procedimento consiste em aplicar ácido hialurônico para projetar o queixo e equilibrar as proporções do rosto. Parece simples. Mas não é barato.
"A harmonização de queixo melhora o perfil facial e traz mais definição à mandíbula", explica Nichelle. O que ela não diz: apenas 0,1% da população brasileira tem acesso a esse tipo de tratamento.
"O procedimento é minimamente invasivo e oferece resultados imediatos"
A Nova Cara do Futebol
Vini Jr. não está sozinho. Neymar já admitiu fazer harmonização. Richarlison também. Gabriel Jesus idem. A lista cresce a cada temporada.
O fenômeno expõe o abismo entre o futebol-negócio e o futebol-paixão. Enquanto torcedores parcelam camisas em seis vezes, seus ídolos investem fortunas em procedimentos estéticos que duram 18 meses.
Quem Está Por Trás
O mercado de harmonização facial no Brasil movimenta R$ 4,7 bilhões por ano, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Clínicas de luxo em São Paulo e Rio cobram valores estratosféricos de uma clientela seleta.
Os principais fornecedores de ácido hialurônico são multinacionais farmacêuticas. Cada seringa do produto importado custa entre R$ 2 mil e R$ 4 mil — só o material. O resto é mão de obra qualificada.
Vaidade ou Necessidade?
A pergunta que ninguém faz: por que jogadores multimilionários se preocupam tanto com a aparência? A resposta está nos contratos publicitários.
Um rosto simétrico e harmonioso vale milhões em endorsements. Marcas pagam mais por atletas com visual impecável. É investimento, não vaidade.
Vini Jr. fatura cerca de R$ 50 milhões por ano com publicidade, segundo estimativas do mercado. Um queixo bem definido pode render alguns milhões extras em contratos.
O Risco Escondido
Nem tudo são flores. Complicações existem: assimetrias, necrose tecidual, reações alérgicas. Raras, mas reais.
A Anvisa registrou 127 eventos adversos relacionados a preenchedores faciais em 2023. A maioria em clínicas sem certificação adequada.
Jogadores de elite têm acesso aos melhores profissionais. Mas o boom de harmonizações criou um mercado paralelo perigoso, com procedimentos feitos por não-médicos em condições duvidosas.
O Mercado Não Para
A tendência é clara: mais jogadores vão aderir. A harmonização facial tornou-se padrão no futebol de elite, assim como tatuagens e cortes de cabelo extravagantes.
Para as clínicas especializadas, é um filão de ouro. Para os jogadores, uma ferramenta de marketing. Para o torcedor comum, mais um lembrete da distância entre o campo e a arquibancada.
Vini Jr. pode ter melhorado o queixo. Mas o contraste entre seu mundo e o do brasileiro médio nunca foi tão evidente — ou tão lucrativo para quem está no meio.