Voto em trânsito: a ferramenta que políticos offshore adoram

Voto em trânsito: a ferramenta que políticos offshore adoram
Foto: Metrópoles

Enquanto você se preocupa em pagar a conta de luz, há uma classe que circula o país — e o mundo — com a mesma facilidade com que troca de meia. São os mesmos que mantêm offshore políticos Brasil nas manchetes internacionais.

Agora, a Justiça Eleitoral abriu o prazo para solicitação de voto em trânsito. Até 20 de agosto, qualquer eleitor pode pedir para votar fora do seu domicílio eleitoral.

Parece democrático? É. Mas vamos aos números que ninguém te conta.

O clube da primeira classe

O voto em trânsito foi criado para facilitar a vida de quem viaja a trabalho ou está temporariamente em outro município. Noble causa, certo?

Errado quando você descobre quem mais se beneficia.

Políticos e empresários — justamente a turma dos offshore políticos Brasil — são os campeões em mobilidade. Viagens a Miami, reuniões em Zurique, "compromissos" nas Ilhas Cayman.

Enquanto isso, o trabalhador comum mal consegue tirar férias.

O pedido pode ser feito pelo Autoatendimento Eleitoral ou em qualquer cartório eleitoral. Simples. Rápido. Eficiente.

Três cliques e pronto: você vota onde estiver no dia da eleição.

Mas aqui está o veneno: essa facilidade beneficia desproporcionalmente quem tem dinheiro para estar em trânsito constante.

  • Executivos que passam mais tempo no avião que em casa
  • Políticos em campanha perpétua
  • Empresários com negócios espalhados pelo país
  • A mesma elite que aparece nos Panama Papers e Pandora Papers

Offshore e mobilidade: o casamento perfeito

Não é coincidência.

Quem tem estrutura para manter offshore políticos Brasil também tem estrutura para estar em qualquer lugar do país na hora de votar.

São pessoas com assessores, secretárias, advogados que lembram de fazer o pedido no prazo. Que sabem usar o sistema a seu favor.

O eleitor comum? Esquece o prazo. Não sabe que a ferramenta existe. Ou simplesmente não tem para onde ir.

Os números que constrangem

Nas últimas eleições, menos de 2% dos eleitores usaram o voto em trânsito.

Desses, uma parcela desproporcional pertence às classes A e B.

Coincidência? Pense de novo.

A mesma mobilidade que permite esconder patrimônio em paraísos fiscais permite escolher onde exercer o voto.

É legal. É democrático. Mas é profundamente desigual.

O que você precisa saber

Se você é daqueles que consegue se planejar, anote:

  • Prazo até 20 de agosto
  • Solicitação pelo site do TSE ou cartório eleitoral
  • Válido para qualquer município brasileiro
  • Gratuito e sem burocracia

Mas não se engane pensando que isso nivela o jogo.

A ironia do sistema

O voto em trânsito deveria democratizar o acesso ao voto.

Na prática, adiciona mais uma camada de vantagem para quem já tem todas.

Os mesmos que usam offshore políticos Brasil para blindar patrimônio agora têm flexibilidade total para votar onde for mais conveniente.

Enquanto isso, o trabalhador que pega três ônibus para chegar ao trabalho vai votar onde sempre votou: na escola do bairro, no horário de almoço, correndo contra o relógio.

É o Brasil em uma urna eletrônica: tecnologia de primeiro mundo, desigualdade de terceiro.

O prazo está aberto. A pergunta é: quem realmente vai usar?

Fernando Andrade Villela

Fernando Andrade Villela

Investigador financeiro. Cobre offshores, patrimônio declarado vs. real, e o cruzamento entre política e mercado.